Na Madeira não há cá nada de “asfixia democrática”

7 / 9 / 2009 por jdecoroso

… Foi o que a dona Manuela disse.

Certamente uma das provas dessa liberdade democrática será o funcionamento do circuito interno de TV do Parlamento Regional….

IMM2009 – dias 12 e 13

3 / 9 / 2009 por jdecoroso

Irun – Salamanca – Casa

Conforme prometido no dia anterior, ainda antes do pequeno almoço fui tratar de trocar uma polie para a ventoinha rodar mais depressa. É um trabalho chato, porque envolve meter as mãos em sítios bem apertados, mas correu relativamente bem. Ao olhar para as montanhas que teríamos de subir para chegar ao planalto de Burgos, levantou-se uma onda de optimismo: afinal o calor deveria ser só uma presença quando lá chegássemos a cima, já que não se conseguia ver o topo, tanto era o nevoeiro que as envolvia. Pequeno almoço tomado, à maneira do Íbis, que é com quem diz: café com leite e sumo de laranja, croissants e uma sandocha, e rodas para que vos quero! Logo nos primeiros km deu para notar as diferenças que a ventoinha “rápida” tinha: o mini tinha uma temperatura muito mais estabilizada, e a temível subida de cerca de 20km fez-se sem queixas de maior. Primeira paragem já lá em cima para trocar umas impressões, e mais uns km se fizeram, na paisagem tão característica do planalto. O calor efectivamente começava a apertar, e numa outra paragem assistimos a várias cenas dignas de registo: primeiro, dois “indivíduos” bem portugueses, com sotaque do casal ventoso que deveriam andar por ali a distribuir “encomendas” a bordo de um Renault Mégane já bem antigo vieram abordar-nos para perguntar o caminho para Valladolid. Depois, um emigrante português a bordo do seu carro de matrícula francesa a perguntar o mesmo, e finalmente um fulano que atestou o seu peugeot e se esqueceu estrategicamente de pagar o combustível… Mais adiante, havia efectivamente uma nova configuração nos cruzamentos, e o Navigon lá se atrapalhou todo. Levou-nos a sair da AE para dentro de uma localidade, que seria o antigo itinerário para Portugal, onde fomos encontrar bastante desorientado o emigrante a quem havíamos dado indicações ainda não havia 10 minutos. Paragem para almoço numa área de serviço, já com o calor a fazer-nos ir de vidros bem abertos e de olho bem atento à temperatura do mini, que teimava em manter-se em valores bem aceitáveis. Viagem tranquila portanto até Salamanca, onde chegámos pouco antes das 5 da tarde, que parecia deserta. Qualquer cidade Portuguesa a esta hora numa sexta-feira seria um caos, mesmo no pino de Agosto! O hotel, para nossa alegria, ficava perto do centro, e permitiu-nos fazer turismo à vontade, incluindo uma visita ao museu da indústria automóvel. Este museu é basicamente a colecção privada de um qualquer benemérito, que a deixou em testamento para usufruto público. Bastantes e interessantes máquinas se viram por lá, ao ponto de um Alfa Romeo 159 – um dos automóveis actuais com mais presença e distinção – passar completamente despercebido e ofuscado pelas obras-primas que por lá se puderam ver. Bem perto ficava a zona mais histórica, com duas enormes catedrais lado a lado, onde curiosamente decorriam dois casamentos. Como bons portugueses que somos, ninguém resistiu a dar uma de mirone e ficar ali à espera para ver a saída de tão distintos casórios. Posto isto, uma saltadinha à praça central lá do sítio, e jantar numa rua lá perto, num restaurante onde o cozinheiro era português e nos convenceu a provar a bela costoleta de vitela. Um bom bife depois daqueles dias todos foi a cereja no topo do bolo! Mais algum passeio para ajudar a digerir tamanha barrigada, e a esta hora a quantidade de gente na rua era assombrosa. O calor do dia convida a ficar em casa, e o calor da noite convida claramente a sair. Fez-se entretanto hora de rumar ao hotel para que no dia seguinte estivéssemos a postos para os 500 km que faltavam para chegarmos a casa. Especial apreço para a limpeza da cidade: para uma cidade espanhola, no meio do “deserto”, onde todas as casas têm aquela cor de pó, fiquei bastante surpreendido e agradado por não se verem grafitis ou sujidade nas ruas. Parece mesmo o centro histórico de Lisboa ou Porto…

Pela última vez, repetiu-se o ritual do pequeno almoço Íbis, e depois de algumas despedidas, já que o grupo começaria a ficar ainda mais pequeno logo ali, fizémo-nos ao caminho. Pela temperatura matinal, o calor nesse dia ameaçava ainda ser maior do que no dia anterior, e assim que passámos a fronteira e parámos para as despedidas dos restantes, confirmou-se. E pouco passavam das 11 da manhã… Ao que consta, na zona de Castelo Branco só estavam 40 graus! A viagem até casa decorreu lindamente, e pouco depois das 2 da tarde, estávamos já com metade da temperatura, na costa Oeste, envolta em nevoeiro. Uma viagem que muito dificilmente poderia ter corrido melhor, e que vai deixar saudades. Uma experiência de vida!

IMM 2009 – dia 11

3 / 9 / 2009 por jdecoroso

Rochefort – Irun

Depois de mais um pequeno almoço rotineiro, a saída do hotel deu-se já tardiamente, devido a alguns atrasos de pessoal que tinha de colocar as horas de sono em dia. Também não se perdeu a oportunidade de pedir alguns conselhos turísticos na recepção. Mapa apontado para uma localidade perto da costa, recomendada por supostamente se conseguir ver o “famoso” Fort Boyard – aquela fortaleza no meio da água. Fouras era o destino. Demos de caras com uma pequena vila vincadamente balnear, bem ao estilo de Vila Nova de Milfontes, Santa Cruz ou Ericeira. Existia de facto um forte que dava uma agradável vista sobre a baía, mas demasiado longe do esperado Fort Boyard. Paciência. O calor também apertava, ainda que os carrinhos não se queixassem (mais se queixavam os condutores e penduras). Pelo andar das horas rapidamente chegou a hora de nos fazermos ao caminho, que nesse dia a dormida já seria em Espanha. Segundo indicações do hotel, poderíamos poupar bastantes km e as movimentadas estradas ao redor de Bordéus se apanhássemos o ferry em Royan, e assim fizemos. Afinal, para quem já tinha andado duas vezes no espaço de uma semana, não poderia faltar uma terceira travessia de barco. Para quem conhece, esta travessia é semelhante à de Setúbal-Tróia, mas com a diferença de o percurso ser ligeiramente maior, de os ferrys serem também maiores, e de o preço ser muito maior: 28 euros por um mini e dois ocupantes. Algo caro, portanto, mas compensador. Sempre se passou ali uma meia-horita descansada a apanhar banhos de sol no convés. Assim que chegámos ao destino, em Verdon-sur-Mer, constatámos logo que aquilo era mesmo parecido com Tróia: Dunas, pinheiros, mas ainda sem mamarrachos, e com muito campismo e praias de gente nua. Paragem num supermercado para comprar franguinho assado (que isto de andar 3 dias a saladas frias seria fastidioso), e começou a saga de encontrar um sítio onde abancar a comer o cheiroso petisco. Se o sítio era bastante turístico, e como estávamos em França, seria normal encontrar sítio para fazer piquenique nas imediações, correcto? Não! A paisagem depressa se começou a parecer com a costa alentejana ali mesmo abaixo de Tróia, e cada vez mais deserta. Apenas alguns pinhais em solo muito arenoso, e nada de sítio para parar. Quando a fome estava já a fazer-nos parar ali mesmo ao sol, e a comer nem que fosse dentro dos carros com aquele calor todo, eis que na saída de uma localidadezita que se pode considerar o “Lagoa de Santo André” lá do sítio, eis que se nos depara um parque de merendas enorme, com algumas sombras. Ideal para degustarmos o frango, que não me canso de dizer, nada devia aos melhores frangos assados cá de Portugal. Ou então era mesmo fome! A viagem durante a tarde foi-se fazendo debaixo de algum calor (para não dizer MUITO), e o nosso atalho revelou-se bastante proveitoso, já que só entrámos na Auto-Estrada já depois de Bordéus, mas infelizmente com um acidente que fez com que o trânsito parasse. Se era para estar parado, mais valia que fosse numa área de serviço, e assim fizemos, para deixar os minis respirar e descansar um pouco. Foi nesta área de serviço que nos apareceu um típico “emigra” português, que nos queria fazer acreditar à força que tinha umas ervas lá no quintal, e que por acaso até deveriam crescer por ali naquela área de serviço (ao mesmo tempo que as procurava nos canteiros) e que seriam óptimas para curar as verrugas. Ainda nos assegurou que o acidente era a 20 km dali, e que dentro de meia hora poderíamos partir, já que o acidente estaria resolvido. Esperámos quinze minutos e arrancámos. O senhor nisso parecia ter razão, já que apenas apanhámos trânsito lento durante 10 minutos, voltando a fluir em ritmo normal daí a nada. Esta paragem forçada fez-nos chegar à conclusão de que nesse dia também chegaríamos tarde ao hotel, mas só esperávamos que não fosse tanto. Seriam talvez umas 10 da noite quando atravessámos a fronteira em Irun, e não mais de quinze minutos depois estávamos a entrar no parque do hotel. Ao ver a previsão do tempo para o dia seguinte, ainda no hall do hotel, cheguei à conclusão de que seria melhor no dia seguinte levantar cedo e proceder à troca de uma peça no mini para que suportasse melhor os 38 graus que nos prometiam para Salamanca e Valladolid, bem como a exigente subida entre Irun e Vitória. Mais um dia em que não falo do jantar, porque em boa verdade, nestes dias o jantar “foi sendo” umas coisitas que se iam comprando nas áreas de serviço ou que se tinha por lá pelo carro, já que as horas tardias do almoço implicaram sempre longas tiradas para chegar aos hotéis. No dia seguinte como não haveriam pontos turísticos que nos fizessem demorar, esperávamos chegar a horas mais interessantes a Salamanca, para que aí pudéssemos fazer um bocadinho de turismo. E até seria sexta-feira e tudo…

IMM2009 – dia 10

2 / 9 / 2009 por jdecoroso

Lorient – Rochefort Como tinha dito, o dia começou com um pequeno almoço já habitual, uma rápida consulta às notícias na net, e afinação da correia, e atesto de óleo. Cerca de meio litrito em 3000 e tal km não foi muito mau. Depois de uma consulta na recepção do hotel sobre quais os destinos turísticos que o dia recomendava, lá fomos todos a caminho de sul, para mais um dia de turismo. A primeira paragem foi logo no supermercado para abastecer de almoço, para tentar evitar o almoço tardio do dia anterior. Já que estávamos próximo da praia, decidimos que efectivamente nesse dia, “nous mangeons à lá plage”. Vai de inserir a direcção de “Locmariaquer” no amigo Navigon, e uma horita depois lá estávamos nós dispostos a comer ali naquele belo pinhal com vista para a praia, não sem antes tentar apanhar uns raiozitos de sol na areia, e investigar as vida marinha para além das rochas. Almoço feito, novamente na estrada, pois nesse dia também ainda haveriam uns quantos km para fazer, tentando aproveitar as recomendações da recepcionista do hotel. Mapa marcado para a ponta de “Saint-Gildas”, e neste percurso houve a maior preocupação: como o dia estava bastante quente, os minis queixaram-se assim que apanharam trânsito lento, para passar uma ponte em Saint-Nazaire, terra conhecida pelos seus estaleiros navais. Pouco depois, lá chegámos à dita ponta, onde nos deparámos com uma infra-estrutura militar alemã, dos tempos da “muralha do atlântico” que ia dos Pirinéus à Escandinávia, e visava impedir a entrada das forças aliadas durante a 2ª Guerra Mundial. O sítio é bastante convidativo a uma visita, apesar do vento que parece ser uma constante, pela vegetação que mal cresce. Oportunidade para visitar os antigos postos de defesa que alojavam as defesas alemãs, e ainda onde se conseguiam ver alguns “textos”, com grafia tão própria do 3º Reich. O tempo não perdoava, e o sol ameaçava pôr-se quando nos apercebemos de que ainda tínhamos para cima de 200 km outra vez pela frente até ao hotel. Seria mais um dia de chegada tardia, certamente. Na restante viagem, nota especial para a dificuldade que tivemos em encontrar um abastecimento de combustível aberto. Pura e simplesmente naquela parte de França, parecem não existir. A situação começou a ser preocupante, especialmente depois de num posto da TOTAL, que disponibilizava apenas abastecimento por cartão de crédito/débito, constatarmos que nenhum dos nossos cartões era aceite: Nem Visa Electron de nenhum banco, nem AMEX, nem VISA Gold, nem Mastercard… nada! Felizmente existia um posto do “Leclerc” bem próximo, onde os cartões funcionaram. Daqui veio uma nota mental: Pedir um cartão de crédito de outra entidade bancária que não a CGD, pois os cartões deles nestas situações parecem ter propensão a deixar-nos enrascados. A restante viagem fez-se tranquilamente, com uma paragem para esticar as pernas e continuar a sessão de anedotas por walkie-talkie que vinha animando (e despertando) a comitiva. O hotel parecia acolhedor, e a noite foi dormida muito descansadamente.

IMM2009 – Dia 9

31 / 8 / 2009 por jdecoroso

Le Havre – Lorient

Pequeno almoço tomado, e eis que era hora de desembarcar em França, onde o clima também não parecia nada próprio do mês de Agosto… Despedidas feitas para a maioria da comitiva, que seguiria um rumo mais directo, e eis nós, os 4 carros resistentes, nos fizemos à estrada e aos 400 km desse dia, em busca das praias do dia D. Com as despedidas e o ritmo baixo, era já hora de almoço e ainda andávamos maravilhados com a beleza da paisagem da costa Normanda, e extasiados com a percepção do esforço necessário para defender e conquistar esta porção de terra. Algo que contribuiu sem dúvida para isto foi a visita ao cemitério Americano, que ocupa 7 hectares, e onde estão mais de 40 mil campas. Infelizmente não pudemos visitar a zona mais a fundo, já que o tempo era escasso, e ainda queríamos ir ver mais uma ou duas atracções turísticas. Depois de algumas incursões por estradas muito secundárias, que deambulavam por entre as várias quintas, bastante pitorescas, parámos para abastecer os carrinhos e já agora, que isto eram já 3 da tarde, comprar alguma coisa para se fazer um piquenique. O sítio onde parámos dificilmente poderia ser melhor: um bosque enorme, com sobras e mesas mesmo a jeito para nós. Como alguém disse: “Aujourd’hui nous mangeons à lá campagne, demain, on mangerá à lá plage”. Mais uma centena e tal de km depois, mais uma paragem, desta feita no deslumbrante e místico Mont-Saint-Michel. O meu mini ficou tão extasiado com a visão, que decidiu parar logo ali para ver melhor o monumento. Intervenção rápida, e 5 minutos depois estava novamente pronto para papar os km que faltavam até Lorient… E ainda eram bastantes! Já que ali estávamos, teríamos ao menos de tentar visitar o sítio, que eu coloco na categoria de “Toda gente deve visitar pelo menos uma vez na vida”. Aliado ao facto de a tarde já ir longa, rés-vés ao por-do-sol o ambiente no interior do mosteiro, mesmo no topo do monte, era arrepiante. Carregado de magia por todo o lado. A paisagem então… indescritível, bem como a sensação de pequenez com que ficamos a olhar para a vastidão de terra e água que se consegue avistar… Houve no entanto que nos fazermos ao caminho, porque naquele dia a chegada ao hotel seria bem tardia… E foi mesmo, era “só” uma da manhã, mas foi por bons motivos. Saliento novamente que a Normandia vale bem a visita, mas com tempo! O carro, continuava a portar-se lindamente, mas a correia do alternador parecia ter alguma folga. Ficou marcada uma afinação para a manhã seguinte.

IM2009 – Dias 6 e 7

31 / 8 / 2009 por jdecoroso

International Mini Meeting / Longbridge (Birmingham)

O dia amanheceu cedíssimo, mas lindo. Nada de nuvens, e um calorzinho agradável. Eram praí 6 da manhã já a claridade do dia nos tinha feito levantar. A ida aos wc’s confirmou parcialmente os mitos que entretanto se haviam levantado de que as condições eram terríveis, e não havia água para banhos, e outras histórias de terror. De facto não havia água, pelo que banho, nesse dia, seria para esquecer. Já os wc’s propriamente ditos não pareciam mal de todo. Apenas fazia confusão como é que os brutamontes dos ingleses e outros povos “bárbaros” conseguiam caber num cubículo onde uma pessoa de 1.70 já se sente apertada. Eles lá hão de se ter arranjado, portanto. Outro facto que nos fez desconfiar foi o facto de haverem realmente poucos wcs num sítio onde eram esperadas mais de 5000 pessoas… Cafezinho da manhã, uns biscoitos, e já toda a comitiva estava fora da tenda, pronta a começar a visita à imensidão de minis e estaminés de venda de peças, novas e usadas. Basicamente o dia foi passado nisto, com pausa para almoço. Ao avistar um trator colina acima, fomos investigar os chuveiros, e aproveitámos para tomar a banhoca que soube lindamente, naquelas cabines de duche que também não eram tão horrendas como se sopunha. Apenas eram poucas, e a água escasa. De regresso ao acampamento para jantar, já que as filas para o jantar incluído no bilhete estavam impossíveis. Como arrefeceu cedo, e o pessoal tinha um certo receio de grandes ajuntamentos, dispensámos a “festa” que supostamente existiu, e fomos dormir, não sem antes conviver alegremente com os companheiros de comitiva.
O domingo amanheceu bonito tal como o dia anterior, pelo que a rotina foi parecida. Aproveitou-se para comprar algumas lembranças, e dar uma vista atenta a bancas que no dia anterior já não tinha sido possível visitar. Actividades propriamente ditas, pouco ou nada! Estranho, não haver grande divulgação por parte da organização de um evento que supostamente comemoraria os 50 anos do Mini, e os 40 do Clubman. Mas a festa fez-se na mesma, e depois de uma deslocação ao “pingo doce” lá do sítio, sai um franguinho de cerveja para o almoço, e de facto pouco ficou para amostra. A tarde passou-se entre os stands e mais um duche, mas o clima ameaçava mudar. Tempo ainda de ver ruidosas caravanas que cirandavam pelo parque, até que a polícia decidiu por-lhes temo antes que alguém se aleijasse. O jantar desse dia, bem, foi de grande improviso, onde se juntaram as latas que o pessoal tinha comprado anteriormente, e nunca pensei que um esparguete com feijoada pudesse ser um petisco tão bom! A repetir! Hora da cama, e caíram os primeiros pingos de chuva. Isto deixou toda a gente mais ou menos preocupada sobre as condições no dia seguinte, já que seria altura de desmanchar o acampamento e iniciar a grande viagem de regresso…

IMM2009 – Dia 8

31 / 8 / 2009 por jdecoroso

Longbridge – Portsmouth (Le Havre)

A noite passou-se, ainda que com alguns sobressaltos, devido ao vento e às gotas de chuva, e a hora de acordar foi bastante atribulada, já que houve que arrumar tudo à pressa, debaixo da chuva que apesar de não ser muito forte, sempre chateava. Comitiva completa, e toca a seguir de novo para sul, para voltar a apanhar o barco, que já eram horas de voltar ao continente! Antes de mais, uma passagem por uma casa de peças para minis, onde a nossa presença foi bem recebida, ao ponto do dono do sítio nos ter arranjado pequeno almoço, com chá, leite, café, bolachinhas… um luxo! A viagem até Portsmouth fez-se sempre debaixo de alguma chuva, e houve a registar a primeira avaria “chata” (a primeira tinha sido uma alavanca do elevador do vidro solta, ainda em Espanha) – o limpa-vidros deixou de funcionar, mas por sorte própria de quem tem um mini, com umas pancadinhas e um bocadito de alento, lá o motor ficou a trabalhar como novo! Tanta sorte não teve um outro companheiro que teve de fazer bastantes km sem limpa-vidros. A chegada a Portsmouth, e ao terminal de Ferry também aconteceu bastante antes da hora do check-in, e lá se foram passar as horas que faltavam entre a conversa e o terminal de passageiros, por onde também se petiscou. Mais duas horas de espera debaixo de chuva, e eis que chega a hora de embarcar. Este ferry era bastante maior do que o da viagem de ida, e o pessoal de bordo era também todo Português. Que saudades da boa disposição e hospitalidade tão nossas! Há sentimentos que não se conseguem descrever, e o facto de encontrarmos um ambiente tão familiar a tantos km de casa, no meio do mar, é um deles. Já que ainda haviam algumas libras para gastar, decidimos fazer um upgrade nos lugares, e ir para um sítio com umas cadeiras todas XPTO, que se desdobravam, fazendo uma cama bem confortável. Houve também direito a banhoca e jantar a bordo, e garanto que nunca comi um caril tão bom. Isto vindo de quem “não gosta” de caril… Depois de uma visita à internet, estava na hora da caminha. Adormecer não foi problema, mesmo com os evidentes baloiços do barco, já que o clima lá fora ao que consta seria mais tempestuoso…

IMM2009 – dia 5

27 / 8 / 2009 por jdecoroso

Portsmouth – Birmingham

Como já tinha dito, a noite a bordo do Ferry passou depressa, e pouco se notaram as oscilações do barco. O pequeno almoço “continental” orçou em 4 libras, servido pelos tripulantes, e pedido e escolhido em bom português. Finalmente avistávamos Portsmouth, e o tempo, esse, continuava digno de uma manhã de Outono: cinzento, chuviscoso e fresco! Ouviram-se as chamadas para ocuparmos os carros, e depois de aportar, lá fomos saindo do barco, em direcção a um controlo fronteiriço, que se passou sem problemas. Novo reagrupamento no estacionamento mais próximo, e o primeiro contacto com a condução “ao contrário”: não parece assim tão difícil. Basta atenção, com especial incidência nos cruzamentos e rotundas. Despedidas de um companheiro que iria para Londres, e lá vamos nos a caminho de Birmingham. Afinal de contas foi para isso que já tínhamos feito mais de 2000km… Uma paragem atribulada com saída da AE para colocar gasolina resultou em alguns problemas, já que o trânsito suburbano de Inglaterra é muito propenso a semáforos e rotundas, sem locais de paragem. Conclusão: metade do grupo ficou perdida, e algumas chamadas de telefone e trocas de coordenadas GPS, lá se juntaram todos novamente no posto da Texaco. Lanche do meio da manhã no bucho, e sigamos para Stonehenge, que até fica em caminho e tudo. Ritmo bem lento a partir daí, para ficarmos todos juntos, e que giro e pitoresco que é o “countryside” Inglês. Como é tudo tão verde em Salisbury! E como é verde a paisagem em redor de Stonehenge. Dá que pensar, quando reflectimos sobre o esforço e motivos pelos quais os homens de há 4500 anos transportaram estas pedras de tão longe para as erigirem ali, e as disporem daquela forma tão mística. Também dá que pensar porque serão os pássaros tão mansos, já que nos deixam aproximar até menos de meio metro sem fugirem. Quase quase que comem da mão das pessoas. Terminada a visita inspiradora, mais uma data de km pela frente até Birmingham, com uma paragem forçada numa bomba de gasolina para resolver um problema de alternador marado no mini de um companheiro, e aproveitar para almoçar. A antipatia de um dos funcionários fez com que essa bomba não nos vendesse mais nada, e depois de um “fish and chips” para alguns, que eu dispenso bacalhau frito, vamos lá fazer o resto dos km. A chegada a Birmingham, mais concretamente a Longbridge correu bem, e fomos entusiasticamente saudados à entrada do evento. Mas logo ali começou a confusão: primeiro entra-se, e só depois se faz o check-in. Estranho. Não existiam lugares marcados, portanto lá tivemos de andar a procurar um local para acampar. Felizmente demos com uma encosta ainda pouco ocupada, e a meio caminho dos WCs e da zona de eventos. Finalmente um tempinho para podermos todos ficar de boca aberta com a dimensão da coisa. Eram minis a perder de vista! Um regalo para os olhos… Hora de montar a tenda, e tratar do jantar, que o sol já queria ir embora. Umas febrinhas assadas à moda de Viana, e que boas estavam! Pouco depois, fez-se hora de ir dormir, que estes dois últimos dias tinham sido bem intensos, e na rua estava já a ficar bastante frio, apesar do por do sol prometer um dia soalheiro.

IM 2009 – dia 4

27 / 8 / 2009 por jdecoroso

Tours – Le Havre (Portsmouth)

O dia começou à hora habitual, e depois de uma verificação rápida nos níveis dos fluidos do mini, toca de nos fazermos à estrada, com uma mudança de planos de paragem: a primeira paragem do dia seria a mítica “Le Mans”, para se tentar conhecer a pista. A viagem foi decorrendo com alguns precalços relacionados com uma bomba de embraiagem meio afanada de um dos companheiros de caravana, pelo que se fizeram algumas paragens para reparações rápidas. Pudemos constatar que os franceses efectivamente no que toca a portagens não brincam em serviço: pagam-se e bem pagas! Depois de algumas pripécias próprias de uma caravana com 14 carros, especialmente no que toca a semáforos e trânsito de cidade, lá conseguimos dar com o circuito de Le Mans. Vá de alinhar os carrinhos todos para uma foto, e visitemos o museu, já que aqui estamos, e hoje a viagem até curta. Os companheiros aproveitaram para trocar a peça problemática no mini, e a coisa compôs-se. Depois da passagem pelo museu, arrancámos com destino ao combustível mais próximo, atravessando os bairros residenciais lá do sítio. Almoçou-se mesmo ali na bomba, como já se vinha tornando hábito, e vamos é arrancar para Le Havre, que isto de “apanhar o barco” é algo que ninguém sabe muito bem como funciona, e mais vale chegar cedo do que tarde! Nota para os primeiros minis em caravana que encontrámos, e nos ultrapassaram na saída da AE ao chegar a Le Mans. A viagem até Le Havre fez-se com alguma apreensão, pois o tempo estava cada vez pior, confirmando as ameaças de chuva que tínhamos visto no dia anterior na previsão meteorológica. As portagens, essas, continuavam iguais a si próprias: caras e frequentes! Mais alguns stresses com a chegada a Le Havre e a caravana toda partida pelos semáforos, mas com a ajuda dos walkie-taklies e umas quantas voltas consecutivas a algumas rotundas, a caravana deu toda com a entrada para o Ferry. Eram 5 da tarde, e o check-in não começaria antes das 21.00, portanto depois de perguntarmos aos funcionários da companhia do barco que por ali estavam se os carros estariam ali bem, rumámos ao centro comercial mais próximo, em busca de um lanche ajantarado. O amigo Navigon deu conta de si, e levou-nos para um sítio repleto de lojas, é certo, mas com apenas 3 sítios de comida: 2 cafés e o McDonalds. Ora como a fomeca apertava, não fui de modas, e quebrei um jejum de mais de 10 anos, açambarcando um hambúrguer lá do sítio, mais umas batatas, uma fanta e um geladinho em cima. Soube-me pela vida, claro está. Afinal de contas, “burro com fome, até cardos come”. Como finalmente se tinha abatido uma chuvada sobre Le Havre, e ainda faltava bastante para a hora do check-in, demos umas voltinhas pelo CC, até que uma aberta no tempo nos deixou regressar para junto dos carros, onde agora estavam já duas caravanas e mais 3 minis, de aficionados franceses, com quem estivemos um bom bocado à conversa até à abertura das portas para as formalidades de embarque. Neste processo lá houve um casal de ciclistas que teimou que deveria furar a fila de carros que ali estavam há já 4 horas, e depois de alguma teimosia lá se recataram a esperar pela sua vez. Mais uma hora e tal de espera para embarcar no nosso barco, e finalmente estávamos dentro das entranhas daquele monstro de metal onde um camião TIR poderia dar uma volta completa. Subimos para a parte destinada aos passageiros de carne e osso, e qual não foi a nossa surpresa quando todos os funcionários nos saudavam com um “Boa Noite!” bem português. Viemos a saber mais tarde que toda a tripulação era portuguesa. O tempo, esse, estava cada vez pior, e depois de nos acomodarmos nas cadeiras, lá fomos espreitar a rua. A noite no barco passou-se relativamente bem, descontando o facto de dormir sentado. Acho que fui vencido pelo cansaço, e acabei por dormir, afinal de contas tinha sido um dia enorme!

IMM2009 – dia 3

24 / 8 / 2009 por jdecoroso

Bayonne – Tours

Mais um dia que começou com um belo pequeno almoço “Íbis”, em que se aproveitou também para “adquirir” umas sandes para a bucha/almoço/desenrascar a fome. Saída a horas, e pouco tempo depois primeira paragem para reparações – um mini teve direito a uma revisão à carburação/ignição e ficou de novo nos eixos, e pronto para mais uns quantos km de estrada. Neste dia começámos a apanhar algum calor, e para minha satisfação o mini comportou-se bem debaixo deste calor. Paragem para almoçar numa área de serviço algures a meio caminho, e não pudemos deixar de ficar admirados de como em França estas áreas de serviço são efectivamente algo do outro mundo: casas de banho em condições, com chuveiros e tudo, com restaurantes e lojas de conveniência como não se vêem em Portugal. Já as portagens, são ainda mais caras do que por cá. Nota especial para o almoço à sombra, em que fomos saudados por vários portugueses que por ali passavam. A viagem continuou sem grandes sobressaltos, com mais uma paragem para chichis e esticar as pernas pelo meio, e quando estávamos quase a chegar a Tours, eis que oiço no walkie-talkie que um dos minis estava com problemas e tinha parado na Auto-Estrada. Como estávamos já perto da saída, parámos aí à espera do avariado, que felizmente conseguiu resolver o problema. O hotel ficava perto, mas era num sítio um bocado escondido, pelo que foi complicado chegarmos todos juntos, ainda por cima com o trânsito próprio dos subúrbios num fim de tarde. Passados uns 10 minutos estavam já todos no parque do hotel, onde também já estava o nosso novo companheiro de viagem, chegado directamente da Suiça, e que nos presenteou com uma verdadeira surpresa: Caldo verde e Bola de carne. Claro que se fez logo um piquenique no jardim do hotel, à boa maneira portuguesa, onde também não faltaram os bolinhos de mel e a poncha madeirense! Aproveitou-se ainda para se ir ao “auchan” local, para abastecer a despensa móvel, desta vez com algumas iguarias bem portuguesas, a saber: Sumol, bolinhos Carlos Gonçalves, e atum Bom Petisco, e Adónis (este último bastante difícil de encontrar cá em Portugal). Foram comprados alguns mantimentos “pesados” do género de feijoada e massa bolonhesa, que viriam a ter um destino algo inesperado. Especial menção para a vergonha que um emigrante português teve de nós, quando ele estava totalmente equipado com fardamento da selecção portuguesa de futebol. Há coisas que não se percebem mesmo…