Archive for Agosto, 2009

IMM2009 – Dia 9

31 / 8 / 2009

Le Havre – Lorient

Pequeno almoço tomado, e eis que era hora de desembarcar em França, onde o clima também não parecia nada próprio do mês de Agosto… Despedidas feitas para a maioria da comitiva, que seguiria um rumo mais directo, e eis nós, os 4 carros resistentes, nos fizemos à estrada e aos 400 km desse dia, em busca das praias do dia D. Com as despedidas e o ritmo baixo, era já hora de almoço e ainda andávamos maravilhados com a beleza da paisagem da costa Normanda, e extasiados com a percepção do esforço necessário para defender e conquistar esta porção de terra. Algo que contribuiu sem dúvida para isto foi a visita ao cemitério Americano, que ocupa 7 hectares, e onde estão mais de 40 mil campas. Infelizmente não pudemos visitar a zona mais a fundo, já que o tempo era escasso, e ainda queríamos ir ver mais uma ou duas atracções turísticas. Depois de algumas incursões por estradas muito secundárias, que deambulavam por entre as várias quintas, bastante pitorescas, parámos para abastecer os carrinhos e já agora, que isto eram já 3 da tarde, comprar alguma coisa para se fazer um piquenique. O sítio onde parámos dificilmente poderia ser melhor: um bosque enorme, com sobras e mesas mesmo a jeito para nós. Como alguém disse: “Aujourd’hui nous mangeons à lá campagne, demain, on mangerá à lá plage”. Mais uma centena e tal de km depois, mais uma paragem, desta feita no deslumbrante e místico Mont-Saint-Michel. O meu mini ficou tão extasiado com a visão, que decidiu parar logo ali para ver melhor o monumento. Intervenção rápida, e 5 minutos depois estava novamente pronto para papar os km que faltavam até Lorient… E ainda eram bastantes! Já que ali estávamos, teríamos ao menos de tentar visitar o sítio, que eu coloco na categoria de “Toda gente deve visitar pelo menos uma vez na vida”. Aliado ao facto de a tarde já ir longa, rés-vés ao por-do-sol o ambiente no interior do mosteiro, mesmo no topo do monte, era arrepiante. Carregado de magia por todo o lado. A paisagem então… indescritível, bem como a sensação de pequenez com que ficamos a olhar para a vastidão de terra e água que se consegue avistar… Houve no entanto que nos fazermos ao caminho, porque naquele dia a chegada ao hotel seria bem tardia… E foi mesmo, era “só” uma da manhã, mas foi por bons motivos. Saliento novamente que a Normandia vale bem a visita, mas com tempo! O carro, continuava a portar-se lindamente, mas a correia do alternador parecia ter alguma folga. Ficou marcada uma afinação para a manhã seguinte.

IM2009 – Dias 6 e 7

31 / 8 / 2009

International Mini Meeting / Longbridge (Birmingham)

O dia amanheceu cedíssimo, mas lindo. Nada de nuvens, e um calorzinho agradável. Eram praí 6 da manhã já a claridade do dia nos tinha feito levantar. A ida aos wc’s confirmou parcialmente os mitos que entretanto se haviam levantado de que as condições eram terríveis, e não havia água para banhos, e outras histórias de terror. De facto não havia água, pelo que banho, nesse dia, seria para esquecer. Já os wc’s propriamente ditos não pareciam mal de todo. Apenas fazia confusão como é que os brutamontes dos ingleses e outros povos “bárbaros” conseguiam caber num cubículo onde uma pessoa de 1.70 já se sente apertada. Eles lá hão de se ter arranjado, portanto. Outro facto que nos fez desconfiar foi o facto de haverem realmente poucos wcs num sítio onde eram esperadas mais de 5000 pessoas… Cafezinho da manhã, uns biscoitos, e já toda a comitiva estava fora da tenda, pronta a começar a visita à imensidão de minis e estaminés de venda de peças, novas e usadas. Basicamente o dia foi passado nisto, com pausa para almoço. Ao avistar um trator colina acima, fomos investigar os chuveiros, e aproveitámos para tomar a banhoca que soube lindamente, naquelas cabines de duche que também não eram tão horrendas como se sopunha. Apenas eram poucas, e a água escasa. De regresso ao acampamento para jantar, já que as filas para o jantar incluído no bilhete estavam impossíveis. Como arrefeceu cedo, e o pessoal tinha um certo receio de grandes ajuntamentos, dispensámos a “festa” que supostamente existiu, e fomos dormir, não sem antes conviver alegremente com os companheiros de comitiva.
O domingo amanheceu bonito tal como o dia anterior, pelo que a rotina foi parecida. Aproveitou-se para comprar algumas lembranças, e dar uma vista atenta a bancas que no dia anterior já não tinha sido possível visitar. Actividades propriamente ditas, pouco ou nada! Estranho, não haver grande divulgação por parte da organização de um evento que supostamente comemoraria os 50 anos do Mini, e os 40 do Clubman. Mas a festa fez-se na mesma, e depois de uma deslocação ao “pingo doce” lá do sítio, sai um franguinho de cerveja para o almoço, e de facto pouco ficou para amostra. A tarde passou-se entre os stands e mais um duche, mas o clima ameaçava mudar. Tempo ainda de ver ruidosas caravanas que cirandavam pelo parque, até que a polícia decidiu por-lhes temo antes que alguém se aleijasse. O jantar desse dia, bem, foi de grande improviso, onde se juntaram as latas que o pessoal tinha comprado anteriormente, e nunca pensei que um esparguete com feijoada pudesse ser um petisco tão bom! A repetir! Hora da cama, e caíram os primeiros pingos de chuva. Isto deixou toda a gente mais ou menos preocupada sobre as condições no dia seguinte, já que seria altura de desmanchar o acampamento e iniciar a grande viagem de regresso…

IMM2009 – Dia 8

31 / 8 / 2009

Longbridge – Portsmouth (Le Havre)

A noite passou-se, ainda que com alguns sobressaltos, devido ao vento e às gotas de chuva, e a hora de acordar foi bastante atribulada, já que houve que arrumar tudo à pressa, debaixo da chuva que apesar de não ser muito forte, sempre chateava. Comitiva completa, e toca a seguir de novo para sul, para voltar a apanhar o barco, que já eram horas de voltar ao continente! Antes de mais, uma passagem por uma casa de peças para minis, onde a nossa presença foi bem recebida, ao ponto do dono do sítio nos ter arranjado pequeno almoço, com chá, leite, café, bolachinhas… um luxo! A viagem até Portsmouth fez-se sempre debaixo de alguma chuva, e houve a registar a primeira avaria “chata” (a primeira tinha sido uma alavanca do elevador do vidro solta, ainda em Espanha) – o limpa-vidros deixou de funcionar, mas por sorte própria de quem tem um mini, com umas pancadinhas e um bocadito de alento, lá o motor ficou a trabalhar como novo! Tanta sorte não teve um outro companheiro que teve de fazer bastantes km sem limpa-vidros. A chegada a Portsmouth, e ao terminal de Ferry também aconteceu bastante antes da hora do check-in, e lá se foram passar as horas que faltavam entre a conversa e o terminal de passageiros, por onde também se petiscou. Mais duas horas de espera debaixo de chuva, e eis que chega a hora de embarcar. Este ferry era bastante maior do que o da viagem de ida, e o pessoal de bordo era também todo Português. Que saudades da boa disposição e hospitalidade tão nossas! Há sentimentos que não se conseguem descrever, e o facto de encontrarmos um ambiente tão familiar a tantos km de casa, no meio do mar, é um deles. Já que ainda haviam algumas libras para gastar, decidimos fazer um upgrade nos lugares, e ir para um sítio com umas cadeiras todas XPTO, que se desdobravam, fazendo uma cama bem confortável. Houve também direito a banhoca e jantar a bordo, e garanto que nunca comi um caril tão bom. Isto vindo de quem “não gosta” de caril… Depois de uma visita à internet, estava na hora da caminha. Adormecer não foi problema, mesmo com os evidentes baloiços do barco, já que o clima lá fora ao que consta seria mais tempestuoso…

IMM2009 – dia 5

27 / 8 / 2009

Portsmouth – Birmingham

Como já tinha dito, a noite a bordo do Ferry passou depressa, e pouco se notaram as oscilações do barco. O pequeno almoço “continental” orçou em 4 libras, servido pelos tripulantes, e pedido e escolhido em bom português. Finalmente avistávamos Portsmouth, e o tempo, esse, continuava digno de uma manhã de Outono: cinzento, chuviscoso e fresco! Ouviram-se as chamadas para ocuparmos os carros, e depois de aportar, lá fomos saindo do barco, em direcção a um controlo fronteiriço, que se passou sem problemas. Novo reagrupamento no estacionamento mais próximo, e o primeiro contacto com a condução “ao contrário”: não parece assim tão difícil. Basta atenção, com especial incidência nos cruzamentos e rotundas. Despedidas de um companheiro que iria para Londres, e lá vamos nos a caminho de Birmingham. Afinal de contas foi para isso que já tínhamos feito mais de 2000km… Uma paragem atribulada com saída da AE para colocar gasolina resultou em alguns problemas, já que o trânsito suburbano de Inglaterra é muito propenso a semáforos e rotundas, sem locais de paragem. Conclusão: metade do grupo ficou perdida, e algumas chamadas de telefone e trocas de coordenadas GPS, lá se juntaram todos novamente no posto da Texaco. Lanche do meio da manhã no bucho, e sigamos para Stonehenge, que até fica em caminho e tudo. Ritmo bem lento a partir daí, para ficarmos todos juntos, e que giro e pitoresco que é o “countryside” Inglês. Como é tudo tão verde em Salisbury! E como é verde a paisagem em redor de Stonehenge. Dá que pensar, quando reflectimos sobre o esforço e motivos pelos quais os homens de há 4500 anos transportaram estas pedras de tão longe para as erigirem ali, e as disporem daquela forma tão mística. Também dá que pensar porque serão os pássaros tão mansos, já que nos deixam aproximar até menos de meio metro sem fugirem. Quase quase que comem da mão das pessoas. Terminada a visita inspiradora, mais uma data de km pela frente até Birmingham, com uma paragem forçada numa bomba de gasolina para resolver um problema de alternador marado no mini de um companheiro, e aproveitar para almoçar. A antipatia de um dos funcionários fez com que essa bomba não nos vendesse mais nada, e depois de um “fish and chips” para alguns, que eu dispenso bacalhau frito, vamos lá fazer o resto dos km. A chegada a Birmingham, mais concretamente a Longbridge correu bem, e fomos entusiasticamente saudados à entrada do evento. Mas logo ali começou a confusão: primeiro entra-se, e só depois se faz o check-in. Estranho. Não existiam lugares marcados, portanto lá tivemos de andar a procurar um local para acampar. Felizmente demos com uma encosta ainda pouco ocupada, e a meio caminho dos WCs e da zona de eventos. Finalmente um tempinho para podermos todos ficar de boca aberta com a dimensão da coisa. Eram minis a perder de vista! Um regalo para os olhos… Hora de montar a tenda, e tratar do jantar, que o sol já queria ir embora. Umas febrinhas assadas à moda de Viana, e que boas estavam! Pouco depois, fez-se hora de ir dormir, que estes dois últimos dias tinham sido bem intensos, e na rua estava já a ficar bastante frio, apesar do por do sol prometer um dia soalheiro.

IM 2009 – dia 4

27 / 8 / 2009

Tours – Le Havre (Portsmouth)

O dia começou à hora habitual, e depois de uma verificação rápida nos níveis dos fluidos do mini, toca de nos fazermos à estrada, com uma mudança de planos de paragem: a primeira paragem do dia seria a mítica “Le Mans”, para se tentar conhecer a pista. A viagem foi decorrendo com alguns precalços relacionados com uma bomba de embraiagem meio afanada de um dos companheiros de caravana, pelo que se fizeram algumas paragens para reparações rápidas. Pudemos constatar que os franceses efectivamente no que toca a portagens não brincam em serviço: pagam-se e bem pagas! Depois de algumas pripécias próprias de uma caravana com 14 carros, especialmente no que toca a semáforos e trânsito de cidade, lá conseguimos dar com o circuito de Le Mans. Vá de alinhar os carrinhos todos para uma foto, e visitemos o museu, já que aqui estamos, e hoje a viagem até curta. Os companheiros aproveitaram para trocar a peça problemática no mini, e a coisa compôs-se. Depois da passagem pelo museu, arrancámos com destino ao combustível mais próximo, atravessando os bairros residenciais lá do sítio. Almoçou-se mesmo ali na bomba, como já se vinha tornando hábito, e vamos é arrancar para Le Havre, que isto de “apanhar o barco” é algo que ninguém sabe muito bem como funciona, e mais vale chegar cedo do que tarde! Nota para os primeiros minis em caravana que encontrámos, e nos ultrapassaram na saída da AE ao chegar a Le Mans. A viagem até Le Havre fez-se com alguma apreensão, pois o tempo estava cada vez pior, confirmando as ameaças de chuva que tínhamos visto no dia anterior na previsão meteorológica. As portagens, essas, continuavam iguais a si próprias: caras e frequentes! Mais alguns stresses com a chegada a Le Havre e a caravana toda partida pelos semáforos, mas com a ajuda dos walkie-taklies e umas quantas voltas consecutivas a algumas rotundas, a caravana deu toda com a entrada para o Ferry. Eram 5 da tarde, e o check-in não começaria antes das 21.00, portanto depois de perguntarmos aos funcionários da companhia do barco que por ali estavam se os carros estariam ali bem, rumámos ao centro comercial mais próximo, em busca de um lanche ajantarado. O amigo Navigon deu conta de si, e levou-nos para um sítio repleto de lojas, é certo, mas com apenas 3 sítios de comida: 2 cafés e o McDonalds. Ora como a fomeca apertava, não fui de modas, e quebrei um jejum de mais de 10 anos, açambarcando um hambúrguer lá do sítio, mais umas batatas, uma fanta e um geladinho em cima. Soube-me pela vida, claro está. Afinal de contas, “burro com fome, até cardos come”. Como finalmente se tinha abatido uma chuvada sobre Le Havre, e ainda faltava bastante para a hora do check-in, demos umas voltinhas pelo CC, até que uma aberta no tempo nos deixou regressar para junto dos carros, onde agora estavam já duas caravanas e mais 3 minis, de aficionados franceses, com quem estivemos um bom bocado à conversa até à abertura das portas para as formalidades de embarque. Neste processo lá houve um casal de ciclistas que teimou que deveria furar a fila de carros que ali estavam há já 4 horas, e depois de alguma teimosia lá se recataram a esperar pela sua vez. Mais uma hora e tal de espera para embarcar no nosso barco, e finalmente estávamos dentro das entranhas daquele monstro de metal onde um camião TIR poderia dar uma volta completa. Subimos para a parte destinada aos passageiros de carne e osso, e qual não foi a nossa surpresa quando todos os funcionários nos saudavam com um “Boa Noite!” bem português. Viemos a saber mais tarde que toda a tripulação era portuguesa. O tempo, esse, estava cada vez pior, e depois de nos acomodarmos nas cadeiras, lá fomos espreitar a rua. A noite no barco passou-se relativamente bem, descontando o facto de dormir sentado. Acho que fui vencido pelo cansaço, e acabei por dormir, afinal de contas tinha sido um dia enorme!

IMM2009 – dia 3

24 / 8 / 2009

Bayonne – Tours

Mais um dia que começou com um belo pequeno almoço “Íbis”, em que se aproveitou também para “adquirir” umas sandes para a bucha/almoço/desenrascar a fome. Saída a horas, e pouco tempo depois primeira paragem para reparações – um mini teve direito a uma revisão à carburação/ignição e ficou de novo nos eixos, e pronto para mais uns quantos km de estrada. Neste dia começámos a apanhar algum calor, e para minha satisfação o mini comportou-se bem debaixo deste calor. Paragem para almoçar numa área de serviço algures a meio caminho, e não pudemos deixar de ficar admirados de como em França estas áreas de serviço são efectivamente algo do outro mundo: casas de banho em condições, com chuveiros e tudo, com restaurantes e lojas de conveniência como não se vêem em Portugal. Já as portagens, são ainda mais caras do que por cá. Nota especial para o almoço à sombra, em que fomos saudados por vários portugueses que por ali passavam. A viagem continuou sem grandes sobressaltos, com mais uma paragem para chichis e esticar as pernas pelo meio, e quando estávamos quase a chegar a Tours, eis que oiço no walkie-talkie que um dos minis estava com problemas e tinha parado na Auto-Estrada. Como estávamos já perto da saída, parámos aí à espera do avariado, que felizmente conseguiu resolver o problema. O hotel ficava perto, mas era num sítio um bocado escondido, pelo que foi complicado chegarmos todos juntos, ainda por cima com o trânsito próprio dos subúrbios num fim de tarde. Passados uns 10 minutos estavam já todos no parque do hotel, onde também já estava o nosso novo companheiro de viagem, chegado directamente da Suiça, e que nos presenteou com uma verdadeira surpresa: Caldo verde e Bola de carne. Claro que se fez logo um piquenique no jardim do hotel, à boa maneira portuguesa, onde também não faltaram os bolinhos de mel e a poncha madeirense! Aproveitou-se ainda para se ir ao “auchan” local, para abastecer a despensa móvel, desta vez com algumas iguarias bem portuguesas, a saber: Sumol, bolinhos Carlos Gonçalves, e atum Bom Petisco, e Adónis (este último bastante difícil de encontrar cá em Portugal). Foram comprados alguns mantimentos “pesados” do género de feijoada e massa bolonhesa, que viriam a ter um destino algo inesperado. Especial menção para a vergonha que um emigrante português teve de nós, quando ele estava totalmente equipado com fardamento da selecção portuguesa de futebol. Há coisas que não se percebem mesmo…

IMM 2009 – dia 2

24 / 8 / 2009

Valladolid – Bayonne

A noite foi passada dormindo pouco, já que acordei às 5 da manhã com os lábios todos cheios de cieiro, fruto do calor e de conduzir de janela aberta. Com uma farmácia tão bem recheada, logo tinha de não ter trazido o raio do baton… Aguentou-se um bocado até às 6 e meia, e toca de levantar que já não gramo estar aqui deitado sem dormir. Leva-se a máquina fotográfica e assiste-se ao nascer do sol. A estação de serviço ao lado do hotel não tem batons do cieiro. Logo aqui o dia promete… ainda por cima com o calor que está… O pequeno almoço foi bem agradável, e depois de atestarmos os depósitos e sincronizarmos os walkie-talkies, há que nos fazermos à estrada, que hoje ainda iremos dormir a França! A viagem decorre sem problemas, com paragens para abastecimento e descanso das máquinas e aventureiros, e a paisagem do planalto espanhol impressiona pela vastidão, quer da própria paisagem, como dos campos semeados de cereal, onde existem fardos de palha até mais não! A paragem para almoço foi algo atribulada, já que tivemos de andar no meio do trânsito da zona fronteiriça, procurando por uma bomba de combustível. A viagem em França foram apenas 40km de auto-estrada (bem cara, por sinal), e a chegada ao hotel em Bayonne também decorreu sem problemas. Foi só pedir à senhora da recepção para nos abrir o parque, que todos os minis trataram de ficar bem resguardados (ainda que inicialmente a senhora pensasse que vínhamos de autocarro). Seguiu-se uma visita à cidade, que mostrou ser agradável, com um centro limpo e interessante, de onde se destacam as lojas de chocolate e a bonita catedral. Aproveitámos para descansar numa esplanada, constatando que por aqui os preços de cafetaria são bem altos. 3 euros por meio litro de água é algo a que não estávamos habituados. Para que conste, a cerveja é mais barata! De regresso ao hotel, aproveita-se para ir à net (de borla), enquanto não chegava a hora do jantar. E falando nisso, o jantar no hotel revelou-se uma verdadeira iguaria (ou então era mesmo da fome e do almoço ter sido algo de muito apressado). Esta noite passou-se muito bem, talvez devido ao cansaço acumulado de duas noites a dormir relativamente mal (para os meus padrões, claro).

IMM 2009 – dia 1

20 / 8 / 2009

(este é o primeiro de vários relatos da viagem que tive o prazer de fazer no início do mês de Agosto deste ano)

Casa – Valladolid

O conta-km marca 17.373

Levantar da cama às 5:30, depois de dormir 4 horas. Saída às 6:00 em ponto, e ainda é meio de noite. Viagem tranquila pela A8-A15-A1 até à área de serviço de Santarém. Atestar o depósito para aferir do erro do ponteiro da gasolina (7 litros para 120km) Bebida de um café para despertar, e consulta rápida à net para procurar o numero de telefone do companheiro de viagem. Uma chamada telefónica e passada meia hora o companheiro aparece. Seguimos os dois até à área de serviço da Covilhã, onde esperamos pelo terceiro mini da comitiva. Segue-se em ritmo descontraído até à fronteira de Vilar Formoso, que atravessamos às 12:00 Portuguesas, 13:00 espanholas. Paragem para reabastecer nas imediações de Salamanca, e vamos mas é almoçar que já se faz hora. Rissóis da mãe, e um biscoito. Mais uma hora e pouco de viagem, e por volta das 16:00 espanholas estamos no nosso destino – Íbis Valladolid. Sem grandes surpresas fomos os primeiros a chegar, e aproveita-se para ir ao centro comercial mais próximo para fazer algumas compras para as refeições dos próximos dias. Ao chegar ao hotel, vemos os primeiros minis do Clube Mini Madeira a aparecer, e depressa se seguem os restantes companheiros do Clube MiniPT. Monta-se logo grande festa no estacionamento do hotel, e acertam-se agulhas para o dia seguinte. O pequeno almoço fica marcado para as 8:00, e o jantar foi algo de improvisado no quarto. A má disposição do companheiro de viagem começa a desaparecer, e vamos dormir, que hoje foi um dia longo, e o de amanhã também promete sê-lo.

IMGP4443

Escapadinha às Grutas

3 / 8 / 2009

Pois em altura de férias, e quando não há tempo para férias propriamente ditas, nada como uma escapadinha para perto de casa. Nada como visitar sítios que julgamos conhecer bem, de tantas vezes que lá passamos, lançando um novo olhar com tempo e espírito de descoberta.

Sendo assim, toca de procurar hotel para a pernoita algures por Leiria/Nazaré, para o caso de apetecer praia ou campo  e olha, que giro, este é bem barato, e fica a meio caminho das duas! Pois seja, amigo “booking”, ora faz favor de reservar aí o Santa Maria em Alcobaça!

Dia um:

Como o dia estava quente, nada como uma visita às grutas, já que ao menos lá sempre está frescote. Ora deixa cá apontar o GPS para os Alvados, e siga! (Para quem não esteja a situar estas grutas muito bem, ficam entre Mira de Aire e Porto de Mós) Eis-nos lá chegados, pouco passavam das cinco da tarde. Três ou quatro carros parados em frente ao edifício, e vamos lá comprar os bilhetes. Já que as grutas de Santo António também ficam perto, compra-se o pacote todo! Ou então não, porque não dá tempo de ver as duas no mesmo dia, porque a próxima visita é às 17:40… Enquanto não chegou a hora da visita, vá de aviar um corneto para amenizar os mais de 30 graus e dar uma vista de olhos na imprensa regional.

Chegado o momento de entrar no  buraco, não pude deixar de me lembrar das aventuras do Tom Sawyer e das suas tropelias com Huck nas minas a fugir de Joe, o Índio. Este pensamento depressa se desvaneceu assim que o fresquinho se apoderou de corpo e mente, e se começou a visita propriamente dita. Estas grutas, apesar de não serem muito extensas ou com enormes cavernas, são possuidoras de bastantes e diversificadas formações geológicas, que puxam constantemente pela imaginação do visitante, e é sempre agradável a visita, mesmo quando já se haviam visitado anteriormente, como era o caso. Quando esta beleza natural é acompanhada de uma boa explicação e de uma iluminação condizente, o resultado é bastante satisfatório. Apenas uma palavra de tristeza pela pouca promoção que esta gruta parece ter, o que leva a um certo abandalhamento do espaço envolvente. Nota especial para a magnífica vista que se tem para as serras de Aire e Candeeiros!

E como com esta brincadeira eram já seis e pouco, mais do que hora do lanche, houve que dar o destino certo ao farnel, que é como quem diz, para a barriguinha, enquanto se passava por Porto de Mós, e o seu pitoresco castelo, que infelizmente já se encontrava fechado. Uma local a visitar no futuro, certamente.

Com o aproximar da hora do recolher, houve que procurar o “famoso” hotel Santa Maria, em Alcobaça. Va a ver-se e é mesmo ao lado do Mosteiro. Sorte sorte, o quarto tem uma vista magnífica para o dito! Tem vista mas não tem champô e o mini-bar está vazio… Pormenores que fizeram ficar com a pulga atrás da orelha, mas as surpresas ficaram só mesmo por aí. O Mosteiro de Alcobaça merece também a visita, mas essa já tinha sido feita anteriormente. A imponência da Igreja e os túmulos de Pedro e Inês-a-castelhana no ambiente fresco da pedra lembram-nos a célebre história, e apelam à Portugalidade interior. Adiante: Como o lanche tinha sido tardio e reforçado, o jantar (já tardio) ficou-se por um snack no D. Pedro – um estabelecimento comercial sobranceiro ao Mosteiro, com us bonitos painéis de azulejo e um atendimento bastante simpático.

Dia dois:

Levantar cedo, e investigar o pequeno almoço do hotel, já que havia alguns receios, dada a avareza de champô no quarto. Afinal de contas o dito repasto era bem bom, com variedade q.b. Mais uma nota positiva para a simpatia das funcionárias, sempre atenciosas.

Pago o hotel, vamos é rumar a Leiria já que andei tantos anos a passar lá quase semanalmente e nunca visitei o castelo. Já que a Batalha fica em caminho, há que parar para recordar a malha nos “hermanos” e admirar as capelas imperfeitas. Há já muitos anos que não visitava a Batalha, e se por um lado fiquei bastante contente com as ditas, já os claustros pareceram demasiado vazios e injustificativos de que se cobre bilhete para lá entrar. Não houve hipótese de visitar a Igreja, já que decorria missa. Fica para a próxima, já que a imponência do gótico promete. Assinale-se também o monumento ao soldado desconhecido, que nos lembra do horror da guerra, e faz levantar a dúvida: existe algum destes monumentos para a Guerra Colonial?

O calor aperta, e Leiria é já ali. O castelo aparenta boa conservação, e o estacionamento foi fácil. O pior estava para vir: já passa do meio dia, portanto não há visitas à torre, só ao Castelo. Paga-se um euro e pouco, e isso dá-nos direito a deambular à vontade pelas ruinas mal assinaladas e razoavelmente mal conservadas. Salva-se o Paço, onde se pode ir à varanda e descansar do calor, mesmo que esteja invadido por uma seita de estrangeiros que por lá abancou cada um com a sua velinha. Convém lembrar que este castelo foi mais um dos que sofreram restauros “estilo Estado-Novo”, em que o rigor histórico não terá sido o principal alvo, mas sempre é melhor ter um castelo para visitar, ainda que diferente do original, do que ter coisa nenhuma.

Almoço feito, havia que decidir o que fazer de tarde: mais uma visita às grutas, agora às de Mira de Aire, que são provavelmente as mais afamadas. Lá chegados, o contraste com as dos Alvados não poderia ser maior: montes de gente,  e uma gruta com grandes salas e menor riqueza geológica, e um guia habituado a fazer visitas “para os saloios”. Vale a visita pela imponência e dimensão, mas aconselha-se a procura de uma época mais sossegada, especialmente fora dos momentos dos “13 de qualquer coisa”.