IMM2009 – dias 12 e 13

Irun – Salamanca – Casa

Conforme prometido no dia anterior, ainda antes do pequeno almoço fui tratar de trocar uma polie para a ventoinha rodar mais depressa. É um trabalho chato, porque envolve meter as mãos em sítios bem apertados, mas correu relativamente bem. Ao olhar para as montanhas que teríamos de subir para chegar ao planalto de Burgos, levantou-se uma onda de optimismo: afinal o calor deveria ser só uma presença quando lá chegássemos a cima, já que não se conseguia ver o topo, tanto era o nevoeiro que as envolvia. Pequeno almoço tomado, à maneira do Íbis, que é com quem diz: café com leite e sumo de laranja, croissants e uma sandocha, e rodas para que vos quero! Logo nos primeiros km deu para notar as diferenças que a ventoinha “rápida” tinha: o mini tinha uma temperatura muito mais estabilizada, e a temível subida de cerca de 20km fez-se sem queixas de maior. Primeira paragem já lá em cima para trocar umas impressões, e mais uns km se fizeram, na paisagem tão característica do planalto. O calor efectivamente começava a apertar, e numa outra paragem assistimos a várias cenas dignas de registo: primeiro, dois “indivíduos” bem portugueses, com sotaque do casal ventoso que deveriam andar por ali a distribuir “encomendas” a bordo de um Renault Mégane já bem antigo vieram abordar-nos para perguntar o caminho para Valladolid. Depois, um emigrante português a bordo do seu carro de matrícula francesa a perguntar o mesmo, e finalmente um fulano que atestou o seu peugeot e se esqueceu estrategicamente de pagar o combustível… Mais adiante, havia efectivamente uma nova configuração nos cruzamentos, e o Navigon lá se atrapalhou todo. Levou-nos a sair da AE para dentro de uma localidade, que seria o antigo itinerário para Portugal, onde fomos encontrar bastante desorientado o emigrante a quem havíamos dado indicações ainda não havia 10 minutos. Paragem para almoço numa área de serviço, já com o calor a fazer-nos ir de vidros bem abertos e de olho bem atento à temperatura do mini, que teimava em manter-se em valores bem aceitáveis. Viagem tranquila portanto até Salamanca, onde chegámos pouco antes das 5 da tarde, que parecia deserta. Qualquer cidade Portuguesa a esta hora numa sexta-feira seria um caos, mesmo no pino de Agosto! O hotel, para nossa alegria, ficava perto do centro, e permitiu-nos fazer turismo à vontade, incluindo uma visita ao museu da indústria automóvel. Este museu é basicamente a colecção privada de um qualquer benemérito, que a deixou em testamento para usufruto público. Bastantes e interessantes máquinas se viram por lá, ao ponto de um Alfa Romeo 159 – um dos automóveis actuais com mais presença e distinção – passar completamente despercebido e ofuscado pelas obras-primas que por lá se puderam ver. Bem perto ficava a zona mais histórica, com duas enormes catedrais lado a lado, onde curiosamente decorriam dois casamentos. Como bons portugueses que somos, ninguém resistiu a dar uma de mirone e ficar ali à espera para ver a saída de tão distintos casórios. Posto isto, uma saltadinha à praça central lá do sítio, e jantar numa rua lá perto, num restaurante onde o cozinheiro era português e nos convenceu a provar a bela costoleta de vitela. Um bom bife depois daqueles dias todos foi a cereja no topo do bolo! Mais algum passeio para ajudar a digerir tamanha barrigada, e a esta hora a quantidade de gente na rua era assombrosa. O calor do dia convida a ficar em casa, e o calor da noite convida claramente a sair. Fez-se entretanto hora de rumar ao hotel para que no dia seguinte estivéssemos a postos para os 500 km que faltavam para chegarmos a casa. Especial apreço para a limpeza da cidade: para uma cidade espanhola, no meio do “deserto”, onde todas as casas têm aquela cor de pó, fiquei bastante surpreendido e agradado por não se verem grafitis ou sujidade nas ruas. Parece mesmo o centro histórico de Lisboa ou Porto…

Pela última vez, repetiu-se o ritual do pequeno almoço Íbis, e depois de algumas despedidas, já que o grupo começaria a ficar ainda mais pequeno logo ali, fizémo-nos ao caminho. Pela temperatura matinal, o calor nesse dia ameaçava ainda ser maior do que no dia anterior, e assim que passámos a fronteira e parámos para as despedidas dos restantes, confirmou-se. E pouco passavam das 11 da manhã… Ao que consta, na zona de Castelo Branco só estavam 40 graus! A viagem até casa decorreu lindamente, e pouco depois das 2 da tarde, estávamos já com metade da temperatura, na costa Oeste, envolta em nevoeiro. Uma viagem que muito dificilmente poderia ter corrido melhor, e que vai deixar saudades. Uma experiência de vida!

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