Archive for Fevereiro, 2010

A bem da nação, pouca-terra, pouca-terra

21 / 2 / 2010

É de uma rede ferroviária de base e moderna que precisamos. TGVs e outras megalomanias são só para fazer vista, e duvido que tenham alguma utilidade para a generalidade dos portugueses.

O caso desta linha do Oeste é um exemplo do que é, e não devia ser, a ferrovia em Portugal – de carro é possível chegar em 45 minutos de Torres Vedras a Lisboa. O mesmo percurso, de comboio, demora sensivelmente o dobro do tempo, incluindo um transbordo. E já não falo só de Torres Vedras, mas das gentes do Bombarral, da Malveira, das Caldas da Raínha, da Nazaré… que poderiam também estar muito melhor servidas por um meio de transporte mais ecológico, mais seguro, e muito mais prazeiroso nas suas deslocações até Leiria. Nem vale a pena falar do descongestionamento que seria possível na linha do Norte, caso a linha do Oeste tivesse as condições adequadas.

Pelo fim da linha do “Far-Oeste”, toca a assinar!

Let the music play

20 / 2 / 2010

Descobri num dos blogs que costumo ler este maravilhoso duo californiano.

Eu que nem gosto muito de covers, fiquei rendido.

Enjoy

Carta de um gajo-que-tem-a-mania-que-é-o-vasco-pulido-valente-mas-afinal-revela-uma-ponta-de-sensibilidade

15 / 2 / 2010

Depois de ler este artigo em forma de “ai que é tão giro dizer mal de algo tão genuíno como o Carnaval de Torres Vedras” não pude de deixar de escrever alguma coisa do que me vai no espírito.

Primeira nota: este “jovem jornalista” tem 26 anos. A minha idade, mais ou menos. Aliás, até acho que o conheço e estudámos na mesma escola. Afinal de contas somos ambos de um concelho cuja cidade sede tem 20 mil habitantes (eu atiraria mais para os 30mil, mas se é para dizer mal, há que empequenecer as coisas, como convém). O que noto é que tenta escrever um artigo como se fosse Vasco Pulido Valente, empedernido das amarguras da vida e do azedume de ser “do contra”.

A “coisa” começa bem – senão vejamos – há um elogio à cidade por não ser um típico subúrbio. E não é! Mas depois há logo a referência à burguesia decadente (da qual ele deve fazer parte, já que conhece um fenómeno que eu ignoro, porque nem se faz notar de forma evidente na vida da cidade. Se vai lá “senhor fulano e sua esposa”, as pessoas não ligam). Mais uma alfinetada na pacatez da cidade, que não é por excelência um oasis da diversão nocturna, mas que começa a ter alguns espaços bem agradáveis para passar um bom serão. E tudo isto para quê? Para a seguir começar um chorrilho de lamentações sobre o Carnaval de Torres Vedras. Claro ressabiamento, já que até vai buscar a questão católica da coisa, e continua por transmitir a ideia de que as criancinhas do concelho são arrastadas à força para um cortejo onde fazem uma triste figura. Mais uma vez, o rapaz deve estar a falar de cor, ou com bastante azedume. Se não sabe, investigue. É esse o trabalho de um jornalista. Que eu saiba, os meninos das escolas não são obrigados a ir, e pelo que tenho visto, a qualidade (e originalidade) das máscaras permite um factor de diversão bastante maior do que pegar num bloco de notas – até passava por “fiscal da câmara”, com jeito… Depois até ataca o clima. Claro que chove sempre. Tirando os 75% de ocasiões em que efectivamente até está sol…

Também fiquei para perceber o porquê das referências às escolas de Samba. O jornalista desconhece mesmo as origens do carnaval. Mesmo o da sua própria terra – que já é celebrado com grande folia por estas pessoas desde há mais de 100 anos, mais ou menos da mesma maneira. Carnaval não é Samba – e se for preciso um exemplo, arranja-se já aqui o Carnaval de Veneza…

Estranho estranho mesmo é a parte de o artigo concluir da pior forma possível para alguém que tenta dizer tanto mal de uma festa espontânea e que consegue trazer a alegria das pessoas para as ruas. Afinal de contas, até veio ao Carnaval, e gostou. Pior do que isso – arrependeu-se de não tirar férias para melhor aproveitar a festa da “parvónia”.

Recomendo que para o ano tire é umas férias um bocadinho maiores, guarde o subsídio de Natal, e vá ver o carnaval dos outros. Aquele que passa na TV… Ou então vá só aos sítios de Portugal onde se importou muito mais do que a música do outro lado do atlântico, para aí sim, poder falar do “Samba dos 5 graus” com bastante alegria e convicção de que é esse o verdadeiro carnaval.