Archive for the ‘Viagens na Nossa Terra’ Category

É também por estas e por outras que não passamos da cepa torta:

16 / 10 / 2010

A construção da barragem de Foz Tua está definitivamente aprovada, com a conclusão do processo de avaliação ambiental que impõe algumas condições à EDP, mas aprova o empreendimento e a consequente submersão da linha do Tua.

Segundo soube a Lusa junto de várias partes do processo, há já quase dois meses que foi emitido o parecer favorável condicionado ao RECAPE (Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução), sem que ainda tenha sido tornado público.

“A apreciação ao RECAPE da barragem de Foz Tua ocorreu em agosto e o parecer favorável condicionado da APA, Agência Portuguesa do Ambiente, foi emitido no dia 26 (do mesmo mês)”, adiantou à Lusa fonte daquele organismo.

Diário Digital / Lusa

 

Quando temos algumas coisas únicas no mundo, que podemos potenciar para vender como turismo, instala-se o interesse do lobby e do compadrio.

Neste momento não me ocorre muito mais decente a dizer em nome da revolta interior que sinto por insistirmos em continuar a andar para trás, como o caranguejo.

 

Por favor trespassem este Estado…

 

Então as vacances a sério (parte I) foram assim:

8 / 8 / 2010

A modos que “apareceu” (progenitrocínio) a oportunidade de se fazer uma passeata até às ilhas dos Açores.

Ilhas escolhidas, viagens marcadas, houve que apanhar o avião.

Azares de quem anda de avião, o vôo que inicialmente estava marcado para as 6:30 da manhã, acabou por saír apenas às 11:30, com a chegada a Ponta Delgada apenas pela hora de almoço, debaixo de um calor abafado, e céu nublado.

Transporte ao hotel sem grandes chatisses, check-in adiantado, cortesia da funcionária de serviço, e toca de ir procurar sítio para o almoço. Para começar, espadarte grelhado, prato tradicional lá do sítio. Aprovadíssimo, claro está.  Tarde passada pela cidade, com passeio a pé, uma vez que carrito para ir passear só no dia seguinte.  Cidade pequenita e muito pacata, que nos fez pensar em como seriam as restantes localidades, já que aquela é mesmo a maior de todo o arquipélago.  Nota de destaque para o bonito jardim botânico e arquitectura tradicional. O porto de pesca/marina também se mostrou como uma boa opção para passear e admirar os barcos que chegam e partem.

Dia dois:

Saída de manhã cedo para ir levantar o yaris, e zarpar para um passeio pela ilha. Bonita, a vista para as lagoas das sete cidades e envolventes, ainda que o tempo nublado não permitisse as melhores vistas, como se encontram nos postais, mas este parece ser mesmo o clima típico da ilha. Durante toda a manhã deu mesmo para perceber o porquê de se chamar (e muito bem) “ilha verde” a S. Miguel. A tarde permitiu a visita à Ribeira Grande, segunda cidade da ilha, e ainda passeio pelas Furnas e Lagoa das Furnas, onde se pode admirar mais por dentro uma romaria local, onde alguns habitantes  cumpriram a tradição de cozinhar debaixo de terra (e de infringir as proibições de acampar, que parece ser uma tradição na ilha). Nota para as queijadas da Povoação, os bolos lêvedos das Furnas e milho cozido na água fervente. Subida à lagoa do Fogo, para fotos deslumbrantes, e regresso à base de Ponta Delgada, onde se deu mais uma sessão de jacuzzi, sauna, banhos turcos e piscina, tudo cortesia do hotel Ponta Delgada. Família rendida!

Dia três:

Mais um dia com carro, mais uma saída para passeio, em direcção à metade nordeste da ilha. O verde foi mais uma vez a nota dominante, com visita à surpreendente fábrica dos chás Gorreana, onde o processo é o mesmo desde que a fábrica abriu, em pleno século XIX. A visita é encorajada, não havendo barreiras entre os visitantes e a parte produtiva. Seguiu-se depois para o almoço na vila do Nordeste. Localidade pequenita, e aqui verdadeiramente notava-se mais o sotaque carregado dos habitantes. Menção especial para a quantidade de vacas, e sítios estranhos onde teimam em empoleirar-se. Mais uma subida à lagoa do Fogo, e procura das “famosas” cascatas de água quente, que encontrámos já na descida para a Ribeira Grande. Chovia, mas a água férrea e tépida ajudou a esquecer a chuva. Regresso à capital para entrega do yaris, que surpreendeu pela baixa média de consumo, a rondar os 6 litros de gasolina aos cem. Nada mau, para estradas com curvas e bastantes subidas. Não posso deixar também de falar nas saudades que tinha de comer sorvetes daqueles de máquina, e que encontrei a preço baratinho 1€ cada cone.

Dia quatro:

Primeiro percalço.  Avião para apanhar para o Pico, e transfer, nada. Chamada para a empresa responsável, e 20 minutos de espera, e nada. Solução: chamar um taxi, que em 5 minutos nos deixou no aeroporto. Check-in feito, avião a caminho da segunda maior ilha do arquipélago. A espectativa era tentar perceber a “pequenez” de uma ilha que tendo quase tanta área como São Miguel, tem cerca de 1/10 da população. 3 vilas sede de concelho, e 14 mil habitantes. A aproximação ao aeroporto deu logo a entender que a ilha não deveria nada em termos de beleza àquela de onde vínhamos: as vinhas património da humanidade formam um peculiar conjunto bastante agradável à vista (e saboroso na boca). Novo transfer para a Madalena e para o hotel Caravelas, onde não se pode fazer o check-in, mas onde se deixaram as malas enquanto se explorou a vila, nomeadamente o porto de pesca/terminal de ferry. Sessão de alimentação e observação de lagartixas e almoço no “melhor restaurante da ilha” (conforme classificado por um autóctone). Regresso ao hotel para fazer o check-in e explorar os quartos. Dia agradável, deu ainda para mergulhos na “piscina” e observação de peixes. Como um amigo estava também de visita à ilha, deu para ir com ele até à festa de São Roque do Pico, verdadeiro festival de verão do grupo central, que atrai as atenções de ilhéus do Faial, São Jorge e mesmo Terceira.

Dia cinco:

Viagem no ferry para a vizinha cidade da Horta, do outro lado do canal (do mau tempo do Vitorino Nemésio), e mais um dia nublado. A recomendação de visita ao topo da ilha parecia ameaçada por este mau tempo. Nova montada, desta vez um suave renault clio, e viagem até aos capelinhos e sua paisagem lunar. Não pudemos deixar de pensar no terror que terá sido para a população de uma ilha tão pequenita a visão do inferno que foi o acrescento daqueles km quadrados há coisa de cinquenta anos. De regresso ao carro, visita à parte norte da ilha, e ainda antes do meio dia, estava a volta à ilha dada. Visita a uma igreja e farol destruídos pelos terramotos de 1998, e cada vez mais pairava na minha mente que realmente a vida destas pessoas é tudo menos fácil. A paisagem verdejante acaba por ser um pequeno prémio de consolação. Almoço na Horta, onde se preparavam as festas do Mar, e subida à caldeira. Enganos pelo meio, troço de rally, mas a paisagem lá em cima… a paisagem, senhores, é do outro mundo. 2km de diâmetro e 400m de profundidade, e não há mais palavras que se possam dizer. Nova visita à Horta, e à praia do Porto Pim, regresso no último ferry do dia, apinhado por jovens de tenda às costas que iam para São Roque do Pico para o festival Cais Agosto.

Dia seis:

Percalço número dois: não havia carro. Ponto. A Hertz parece não ter agência na ilha do Pico, embora o sistema de reservas permita fazê-las (e felizmente, cancelá-las). A manhã foi pois então passada a tentar arranjar um carro para podermos visitar a ilha. Muitos telefonemas e visitas depois, lá se arranjou um corsa até ao meio-dia do dia seguinte. Almoço em São Roque, no meio da confusão em que a vila se transformou por ocasião do festival. Primeiras impressões sobre a pesca da baleia: “Em casquinhas de noz destas, contra bichos de 50 toneladas, havia de ser preciso tê-los no sítio”.

Seguiu-se a volta à ilha, com visita a pequenitas aldeias onde a máquina fotográfica do pai revelou ser um indutor de mergulhos artísticos na criançada local, bonitas vistas para o Pico (que teimava em manter-se escondido nas nuvens) e procura de estradas secundárias que atravessam o “eixo” da ilha. Óptimas oportunidades fotográficas com vistas para o Faial e São Jorge, devidamente enquadrados pela paisagem da ilha onde também não faltam as vaquinhas a pastar e a posar para a objectiva.

Final de tarde passado em compras de acepipes para trazer para o “Continente”

Dia sete:

Noite mal passada, com dores de garganta e mal estar geral, fez com que uma chamada para a linha Saúde 24 elucidasse que seria melhor procurar o centro de Saúde local. Pois assim foi, e ao chegar ao dito centro, médico “só de chamada”. Lá veio o senhor, que num minuto observou a goela, passou a receita e desejou resto de bom fim de semana. Mais meia hora à espera do farmacêutico, penincilina aviada (e tomada) e vamos lá visitar as Lages do Pico, onde se esperava ver algo mais sobre a faina baleeira. Pois parece que aos domingos os museus aqui estão fechados, havendo apenas a antiga SIBIL para visitar. Pena ter sido tão rápida esta visita, porque a hora de devolver a viatura aproximava-se. Carro atestado e devolvido, novo almoço pela vila da Madalena, e tarde de praia para uns, e de hotel para mim, para não morrer de vez da garganta. Não faltou foi mais um sorvete depois do jantar, que para isso não há doença nenhuma.

Dia oito:

Seria este o dia da despedida, e um longo dia, que prometia a viagem de volta a Lisboa com dois vôos pelo meio. Mais praia para uns, e hotel para o doente, check-out feito no hotel, novo almoço no “melhor restaurante da ilha” e tarde de espera pelo transfer. Mais um vôo rápido para Ponta delgada, e uma data de tempo à espera para regressar à capital. Pois este vôo, que mais uma vez não saíu a horas, provou que o preconceito tem razão de existir. Por ter havido feira medieval na Ribeira Grande, um bando de “gente do circo”, também conhecido como “malta da pulga” e que foi também baptizada como “gente que se abstém de tomar banho” juntou-se com uma comitiva de feirantes-jograis do magrebe, e vieram todas as santas 2 horas e meia que durou o vôo em amena cavaqueira e confraternização como se estivessem numa qualquer esplanada. A pièce de resistance? quando um deles resolveu abanar uma gilette para que todos os outros passageiros a vissem… E o que não basta? quando não querem sair do autocarro do aeroporto directamente para a gare, e preferem passear no relento da noite, tendo de ser chamados à atenção pela PSP… E depois queixam-se do preconceito…

Foi apenas um final de viagem atribulado, mas que deixará muitas saudades, e vontade de regressar um dia às ilhas, para conhecer mais umas quantas.

Na parte que me toca, maravilharam-me, e só posso recomendar a toda a gente que lá vá antes de se meter a pensar em destinos mais longínquos. Assim, pode perceber-se um pouco melhor o porquê de se dizer que é difícil a vida nas ilhas, e que a insularidade tem um custo.

Seguem-se as fotos:

Registos do fim de semana

13 / 4 / 2010

Por terras da Raia, acabando no Oeste natal:

De saoLuis2010
De saoLuis2010
De saoLuis2010
De saoLuis2010
De saoLuis2010
De saoLuis2010
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Registos de um fim de semana tempestuoso

13 / 3 / 2010

No autocarro…

21 / 1 / 2010

… Da Barraqueiro Oeste

Reparei que existe por cima do sítio onde está o motorista a seguinte inscrição:

Para sua segurança, não fale com o motorista durante a condução.

Não pude deixar de me lembrar da famosa “Não alimente o urso” que existe por esses jardins zoológicos fora. Será que o próximo passo será mesmo terem atracções de golfinhos e periquitos no banco de trás?

nao alimente

De canoa no Alqueva

7 / 10 / 2009

Mais um fim de semana grande, e desta vez, uma visita de um dia ao grande lago do Alentejo. Partida às 10 da manhã, para se tentar almoçar perto de Moura, e aproveitar para dar umas remadelas na barragem do Alqueva, onde era prometido existirem uns kayaks para alugar. Primeiro contratempo ao passar a ponte Vasco da Gama, onde decorria a meia maratona de Lisboa, e portanto havia apenas uma via de trânsito em cada sentido. Deu no entanto para ver a partida dessa prova, e admirar a originalidade com que alguns dos participantes participam num dos acontecimentos desportivos que mais gente é capaz de aglutinar cá pelo nosso País. Ficou a vontade de participar numa futura ocasião, mas certamente que a minha falta de predilecção de correr “por correr” haverá de se sobrepor na altura decisiva…
Passada a ponte, caminho tranquilo com paragem para xixi e gasolina, e as notícias não eram muito animadoras: o enviado especial com a missão de nos arranjar um restaurante em Moura ou Pias comunicava que estariam todos fechados. Almoçaríamos portanto na Amieira, assim o restaurante estivesse aberto. E estava, mas os responsáveis não estavam com vontade de responder à pergunta se seríamos atendidos, pelo que se impôs uma curta viagem até Reguengos, onde ao menos nos disseram que se esperássemos, poderíamos comer. Assim foi, ainda que o propósito da viagem, que aproveitar um dia bonito e de calor para chapinhar no enorme lago se estivesse a transformar em “vamos mas é almoçar que isto de serem 2 da tarde já não dá com nada, ainda por cima com esta fomeca”. O almoço passou-se bem, com especial destaque para o “perescouto” – o belo tinto da região, que custanto a pequena fortuna de 19 euros por garrafa, revelou ser uma boa companhia para acompanhar os típicos pratos alentejanos.
Com esta brincadeira, a entrada na água do Alqueva (na dita marina da Amieira) foi atrasada para as 16:30, mas as duas horas passadas a remar e a circundar as ilhotas foram de facto muito bem passadas. Certamente que os outros companheiros de aventuras aquáticas se cansaram menos, já que por ali não faltam “barquinhos” ao belo estilo de vila moura, com bastante gente a disfrutar do belo dia e da paisagem tranquila. Fica prometida nova visita, mas com o almoço acautelado, claro está!

Escapadinha às Grutas

3 / 8 / 2009

Pois em altura de férias, e quando não há tempo para férias propriamente ditas, nada como uma escapadinha para perto de casa. Nada como visitar sítios que julgamos conhecer bem, de tantas vezes que lá passamos, lançando um novo olhar com tempo e espírito de descoberta.

Sendo assim, toca de procurar hotel para a pernoita algures por Leiria/Nazaré, para o caso de apetecer praia ou campo  e olha, que giro, este é bem barato, e fica a meio caminho das duas! Pois seja, amigo “booking”, ora faz favor de reservar aí o Santa Maria em Alcobaça!

Dia um:

Como o dia estava quente, nada como uma visita às grutas, já que ao menos lá sempre está frescote. Ora deixa cá apontar o GPS para os Alvados, e siga! (Para quem não esteja a situar estas grutas muito bem, ficam entre Mira de Aire e Porto de Mós) Eis-nos lá chegados, pouco passavam das cinco da tarde. Três ou quatro carros parados em frente ao edifício, e vamos lá comprar os bilhetes. Já que as grutas de Santo António também ficam perto, compra-se o pacote todo! Ou então não, porque não dá tempo de ver as duas no mesmo dia, porque a próxima visita é às 17:40… Enquanto não chegou a hora da visita, vá de aviar um corneto para amenizar os mais de 30 graus e dar uma vista de olhos na imprensa regional.

Chegado o momento de entrar no  buraco, não pude deixar de me lembrar das aventuras do Tom Sawyer e das suas tropelias com Huck nas minas a fugir de Joe, o Índio. Este pensamento depressa se desvaneceu assim que o fresquinho se apoderou de corpo e mente, e se começou a visita propriamente dita. Estas grutas, apesar de não serem muito extensas ou com enormes cavernas, são possuidoras de bastantes e diversificadas formações geológicas, que puxam constantemente pela imaginação do visitante, e é sempre agradável a visita, mesmo quando já se haviam visitado anteriormente, como era o caso. Quando esta beleza natural é acompanhada de uma boa explicação e de uma iluminação condizente, o resultado é bastante satisfatório. Apenas uma palavra de tristeza pela pouca promoção que esta gruta parece ter, o que leva a um certo abandalhamento do espaço envolvente. Nota especial para a magnífica vista que se tem para as serras de Aire e Candeeiros!

E como com esta brincadeira eram já seis e pouco, mais do que hora do lanche, houve que dar o destino certo ao farnel, que é como quem diz, para a barriguinha, enquanto se passava por Porto de Mós, e o seu pitoresco castelo, que infelizmente já se encontrava fechado. Uma local a visitar no futuro, certamente.

Com o aproximar da hora do recolher, houve que procurar o “famoso” hotel Santa Maria, em Alcobaça. Va a ver-se e é mesmo ao lado do Mosteiro. Sorte sorte, o quarto tem uma vista magnífica para o dito! Tem vista mas não tem champô e o mini-bar está vazio… Pormenores que fizeram ficar com a pulga atrás da orelha, mas as surpresas ficaram só mesmo por aí. O Mosteiro de Alcobaça merece também a visita, mas essa já tinha sido feita anteriormente. A imponência da Igreja e os túmulos de Pedro e Inês-a-castelhana no ambiente fresco da pedra lembram-nos a célebre história, e apelam à Portugalidade interior. Adiante: Como o lanche tinha sido tardio e reforçado, o jantar (já tardio) ficou-se por um snack no D. Pedro – um estabelecimento comercial sobranceiro ao Mosteiro, com us bonitos painéis de azulejo e um atendimento bastante simpático.

Dia dois:

Levantar cedo, e investigar o pequeno almoço do hotel, já que havia alguns receios, dada a avareza de champô no quarto. Afinal de contas o dito repasto era bem bom, com variedade q.b. Mais uma nota positiva para a simpatia das funcionárias, sempre atenciosas.

Pago o hotel, vamos é rumar a Leiria já que andei tantos anos a passar lá quase semanalmente e nunca visitei o castelo. Já que a Batalha fica em caminho, há que parar para recordar a malha nos “hermanos” e admirar as capelas imperfeitas. Há já muitos anos que não visitava a Batalha, e se por um lado fiquei bastante contente com as ditas, já os claustros pareceram demasiado vazios e injustificativos de que se cobre bilhete para lá entrar. Não houve hipótese de visitar a Igreja, já que decorria missa. Fica para a próxima, já que a imponência do gótico promete. Assinale-se também o monumento ao soldado desconhecido, que nos lembra do horror da guerra, e faz levantar a dúvida: existe algum destes monumentos para a Guerra Colonial?

O calor aperta, e Leiria é já ali. O castelo aparenta boa conservação, e o estacionamento foi fácil. O pior estava para vir: já passa do meio dia, portanto não há visitas à torre, só ao Castelo. Paga-se um euro e pouco, e isso dá-nos direito a deambular à vontade pelas ruinas mal assinaladas e razoavelmente mal conservadas. Salva-se o Paço, onde se pode ir à varanda e descansar do calor, mesmo que esteja invadido por uma seita de estrangeiros que por lá abancou cada um com a sua velinha. Convém lembrar que este castelo foi mais um dos que sofreram restauros “estilo Estado-Novo”, em que o rigor histórico não terá sido o principal alvo, mas sempre é melhor ter um castelo para visitar, ainda que diferente do original, do que ter coisa nenhuma.

Almoço feito, havia que decidir o que fazer de tarde: mais uma visita às grutas, agora às de Mira de Aire, que são provavelmente as mais afamadas. Lá chegados, o contraste com as dos Alvados não poderia ser maior: montes de gente,  e uma gruta com grandes salas e menor riqueza geológica, e um guia habituado a fazer visitas “para os saloios”. Vale a visita pela imponência e dimensão, mas aconselha-se a procura de uma época mais sossegada, especialmente fora dos momentos dos “13 de qualquer coisa”.

Viagens na minha terra (II) – Évora

23 / 12 / 2008

Depois de uma hibernação mais ou menos prolongada, sai um post fresquinho com mais um roteiro de viagem.

Desta vez, Évora e suas redondezas.

Para começar, um pouco de história, para dar a conhecer as origens e evolução da cidade capital de distrito.

Évora é uma cidade já bastante antiga, remontando ao tempo dos romanos. Foi ocupada pelos árabes, e reconquistada em 1165, daí ser bastante rica em património histórico edificado, sendo mesmo Património da Humanidade declarado pela UNESCO em 1986.

Uma visita a Évora é então recomendada aos amantes da história e de cidades pitorescas. Assim sendo, fica uma lista de sítios que merecem uma olhadela atenta:

Templo de Diana (mais não seja para admirar como ao fim de uns milénios ainda sobra alguma coisa)

Sé (com o seu museu de arte sacra)

Capela dos Ossos (o nome diz tudo)

Praça do Giraldo e Igreja de Santo Antão

Universidade

Muralhas

E claro, todas as ruinhas e ruelas geralmente bem conservadas que encaminham o transeunte entre todos estes sítios.

Mais fora da localidade, é também de bom tom visitar o convento do Espinheiro (agora transformado num hotel de 5 estrelas), e será certamente interessante visitar os monumentos megalíticos que constam nos mapas, mas cuja sinalização à lá portuga não permitiu alcançar.

Nas redondezas, algumas vilas merecem uma visita, pelo seu pitoresco e pelas paisagens que proporcionam (e respectivos castelos, claro). A não perder: Montemor-o-Novo, Arraiolos e Reguengos.

Recomendo o Évora Hotel, como relação qualidade-preço, Não é um dos pitorescos hotéis no centro histórico da cidade, mas oferece um conjunto agradável de serviços (utilização da piscina, sauna e jacuzzi), um decente pequeno almoço, e quartos confortáveis, assim se atine com fechar bem a janela e acertar o aquecimento!

Fotos virão um destes dias 🙂

Vila Nova de Milfontes

10 / 9 / 2008

Ando há já um tempito para me dedicar a escrever uns roteiros de viagens de sítios do nosso “rectângulo” que visitei e dos quais gostei, por um ou outro motivo (ou por uma carrada deles). Pretendo então dar a conhecer alguns dos sítios que mais me agradaram, e que considero merecedores de uma visita, já que há bastante gente que não valoriza suficientemente o que temos de bom no país, preferindo por tudo e por nada deslocar-se para fora, desconhecendo as verdadeiras pérolas que se podem encontrar em Portugal.

Abro as hostilidades com um pequeno roteiro de viagem sobre Vila Nova de Milfontes, em pelo litoral alentejano, pertencente ao concelho de Odemira.
A sua história remonta ao tempo dos descobrimentos, quando D. João II para lá mandou alguns criminosos autores de pequenos delitos. Passados uns anos foi edificado um forte que visava proteger a foz do rio Mira dos ataques dos corsários.
Actualmente, existe alguma actividade piscatória, mas a terra está claramente virada para o turismo. É conhecida por ser a terra das três mentiras, já que não tem mil fontes, não é nova, e era conhecida por Vila, mesmo quando era apenas uma aldeia.

Vista Geral de Milfontes

Vista Geral de Milfontes

A título pessoal já visitei Milfontes cerca de uma mão cheia de vezes, tendo estabelecido por lá arraiais para passar uns dias em duas ocasiões. Passemos então ao roteiro propriamente dito.
Para lá chegar, não há muito que enganar. Vindo de Lisboa, é procurar Grândola, depois seguir em direcção a Sines, e aí é só seguir as tabuletas. Faz-se em cerca de hora e meia / duas horas, em ritmo calmo. Eu optei por acampar num dos dois parques existentes, mas a oferta de casas particulares para alugar parece ser também uma boa opção de alojamento, mas aí obviamente que tem de se preparar tudo com uma certa antecedência.

O que fazer então em Milfontes?

O facto de estar situada na foz do rio Mira, confere à vila um carácter balnear por excelência, havendo praias para todos os gostos e feitios. Pode optar-se pela praia de Milfontes, de onde se chega bem a pé a partir do centro de Milfontes. Existe ainda a praia das Furnas, na margem oposta, que se pode alcançar de barco ou fazendo uns 7km de carro. Ambas as praias têm componente de rio e de mar, e os seus areais são extensos, propícios a boas caminhadas, especialmente na praia das furnas, por não ser tão frequentada nem ser tão afectada pelos efeitos da subida da maré.
Mas Milfontes não é só praia. Recomendo um passeio na zona antiga da vila, especialmente no largo defronte do castelo, onde há sempre animação nocturna, depois de uma paragem obrigatória na gelataria Mabi. Outro sítio que experimentei na curta estadia (e recomendo) foi uma pizzaria bem perto do Campismo e do mercado, cujo nome não recordo mas que me surpreendeu pela positiva.

Se há algo de que eu gosto particularmente em Vila Nova de Milfontes é a localização, e a proximidade de outros locais bem aprazíveis. Rumando a Norte, a 20 minutos de carro está a pitoresca aldeia de Porto Côvo (ainda que já demasiado afectada pelo turismo de massas – efeitos da cantoria do Rui Veloso certamente) e a Ilha do Pessegueiro, cuja praia é óptima em dias de pouco vento dominada pelo Forte que a defendia, agora já com sinais de recuperação do abandono a que estava votado aquando da minha última visita, há uns dois anos.

Percorrendo mais ou menos a mesma distância, mas para Sul, existe um conjunto de praias, das quais destaco a do Almograve, que me faz lembrar as praias algarvias da zona de Lagos. Refiro ainda a visita obrigatória ao Cabo Sardão, cujas formações geológicas associadas à altura das falésias nos faz sentir pequeninos. Muito pequeninos.

A Vila está bem servida de infra-estruturas de apoio ao turista, existindo uma corporação de bombeiros, vários supermercados, cinema, um balcão dos correios, um posto de primeiros socorros junto à praia, dois parques de campismo, e claro, numerosos bares e alguns restaurantes.
É uma localidade que me atrai pela simplicidade e pacatez próprias do Alentejo, pela paisagem, pela praia e pela magnífica localização num ponto acessível e ao mesmo tempo central, sendo uma boa “base de operações” para conhecer toda a zona envolvente.