Posts Tagged ‘Alentejo’

De canoa no Alqueva

7 / 10 / 2009

Mais um fim de semana grande, e desta vez, uma visita de um dia ao grande lago do Alentejo. Partida às 10 da manhã, para se tentar almoçar perto de Moura, e aproveitar para dar umas remadelas na barragem do Alqueva, onde era prometido existirem uns kayaks para alugar. Primeiro contratempo ao passar a ponte Vasco da Gama, onde decorria a meia maratona de Lisboa, e portanto havia apenas uma via de trânsito em cada sentido. Deu no entanto para ver a partida dessa prova, e admirar a originalidade com que alguns dos participantes participam num dos acontecimentos desportivos que mais gente é capaz de aglutinar cá pelo nosso País. Ficou a vontade de participar numa futura ocasião, mas certamente que a minha falta de predilecção de correr “por correr” haverá de se sobrepor na altura decisiva…
Passada a ponte, caminho tranquilo com paragem para xixi e gasolina, e as notícias não eram muito animadoras: o enviado especial com a missão de nos arranjar um restaurante em Moura ou Pias comunicava que estariam todos fechados. Almoçaríamos portanto na Amieira, assim o restaurante estivesse aberto. E estava, mas os responsáveis não estavam com vontade de responder à pergunta se seríamos atendidos, pelo que se impôs uma curta viagem até Reguengos, onde ao menos nos disseram que se esperássemos, poderíamos comer. Assim foi, ainda que o propósito da viagem, que aproveitar um dia bonito e de calor para chapinhar no enorme lago se estivesse a transformar em “vamos mas é almoçar que isto de serem 2 da tarde já não dá com nada, ainda por cima com esta fomeca”. O almoço passou-se bem, com especial destaque para o “perescouto” – o belo tinto da região, que custanto a pequena fortuna de 19 euros por garrafa, revelou ser uma boa companhia para acompanhar os típicos pratos alentejanos.
Com esta brincadeira, a entrada na água do Alqueva (na dita marina da Amieira) foi atrasada para as 16:30, mas as duas horas passadas a remar e a circundar as ilhotas foram de facto muito bem passadas. Certamente que os outros companheiros de aventuras aquáticas se cansaram menos, já que por ali não faltam “barquinhos” ao belo estilo de vila moura, com bastante gente a disfrutar do belo dia e da paisagem tranquila. Fica prometida nova visita, mas com o almoço acautelado, claro está!

Anúncios

Vila Nova de Milfontes

10 / 9 / 2008

Ando há já um tempito para me dedicar a escrever uns roteiros de viagens de sítios do nosso “rectângulo” que visitei e dos quais gostei, por um ou outro motivo (ou por uma carrada deles). Pretendo então dar a conhecer alguns dos sítios que mais me agradaram, e que considero merecedores de uma visita, já que há bastante gente que não valoriza suficientemente o que temos de bom no país, preferindo por tudo e por nada deslocar-se para fora, desconhecendo as verdadeiras pérolas que se podem encontrar em Portugal.

Abro as hostilidades com um pequeno roteiro de viagem sobre Vila Nova de Milfontes, em pelo litoral alentejano, pertencente ao concelho de Odemira.
A sua história remonta ao tempo dos descobrimentos, quando D. João II para lá mandou alguns criminosos autores de pequenos delitos. Passados uns anos foi edificado um forte que visava proteger a foz do rio Mira dos ataques dos corsários.
Actualmente, existe alguma actividade piscatória, mas a terra está claramente virada para o turismo. É conhecida por ser a terra das três mentiras, já que não tem mil fontes, não é nova, e era conhecida por Vila, mesmo quando era apenas uma aldeia.

Vista Geral de Milfontes

Vista Geral de Milfontes

A título pessoal já visitei Milfontes cerca de uma mão cheia de vezes, tendo estabelecido por lá arraiais para passar uns dias em duas ocasiões. Passemos então ao roteiro propriamente dito.
Para lá chegar, não há muito que enganar. Vindo de Lisboa, é procurar Grândola, depois seguir em direcção a Sines, e aí é só seguir as tabuletas. Faz-se em cerca de hora e meia / duas horas, em ritmo calmo. Eu optei por acampar num dos dois parques existentes, mas a oferta de casas particulares para alugar parece ser também uma boa opção de alojamento, mas aí obviamente que tem de se preparar tudo com uma certa antecedência.

O que fazer então em Milfontes?

O facto de estar situada na foz do rio Mira, confere à vila um carácter balnear por excelência, havendo praias para todos os gostos e feitios. Pode optar-se pela praia de Milfontes, de onde se chega bem a pé a partir do centro de Milfontes. Existe ainda a praia das Furnas, na margem oposta, que se pode alcançar de barco ou fazendo uns 7km de carro. Ambas as praias têm componente de rio e de mar, e os seus areais são extensos, propícios a boas caminhadas, especialmente na praia das furnas, por não ser tão frequentada nem ser tão afectada pelos efeitos da subida da maré.
Mas Milfontes não é só praia. Recomendo um passeio na zona antiga da vila, especialmente no largo defronte do castelo, onde há sempre animação nocturna, depois de uma paragem obrigatória na gelataria Mabi. Outro sítio que experimentei na curta estadia (e recomendo) foi uma pizzaria bem perto do Campismo e do mercado, cujo nome não recordo mas que me surpreendeu pela positiva.

Se há algo de que eu gosto particularmente em Vila Nova de Milfontes é a localização, e a proximidade de outros locais bem aprazíveis. Rumando a Norte, a 20 minutos de carro está a pitoresca aldeia de Porto Côvo (ainda que já demasiado afectada pelo turismo de massas – efeitos da cantoria do Rui Veloso certamente) e a Ilha do Pessegueiro, cuja praia é óptima em dias de pouco vento dominada pelo Forte que a defendia, agora já com sinais de recuperação do abandono a que estava votado aquando da minha última visita, há uns dois anos.

Percorrendo mais ou menos a mesma distância, mas para Sul, existe um conjunto de praias, das quais destaco a do Almograve, que me faz lembrar as praias algarvias da zona de Lagos. Refiro ainda a visita obrigatória ao Cabo Sardão, cujas formações geológicas associadas à altura das falésias nos faz sentir pequeninos. Muito pequeninos.

A Vila está bem servida de infra-estruturas de apoio ao turista, existindo uma corporação de bombeiros, vários supermercados, cinema, um balcão dos correios, um posto de primeiros socorros junto à praia, dois parques de campismo, e claro, numerosos bares e alguns restaurantes.
É uma localidade que me atrai pela simplicidade e pacatez próprias do Alentejo, pela paisagem, pela praia e pela magnífica localização num ponto acessível e ao mesmo tempo central, sendo uma boa “base de operações” para conhecer toda a zona envolvente.