Posts Tagged ‘Praia’

Queques e Bemzocas

23 / 5 / 2010

Ontem, seis da tarde, na praia – Criança (praí do alto dos seus 4 anitos) brinca junto à água, e oiço-a falar para a mãe: “Mãe, venha cá!” Fiquei bastante surpreendido por estar a ouvir um miúdo a tratar assim os pais, especialmente numa praia tão “longe” de Cascais, mas depois disso acabei por associar ao facto de estar numa praia com tendências queque ali para as bandas da Ericeira.

Hoje, já esquecido deste episódio (e na aldeia, sublinhe-se), oiço grande algazarra com um ladrar aflitivo de um cão. Vou à janela de casa, e vejo um caniche branco de cabeça entalada nas tábuas do portão da casa da frente. O canito continuou, até que se desprendeu e ficou a olhar o portão assustado. Nisto vem a dona, típica geração fã de Marco Paulo e declara em direcção ao bicho: “Pipoca, venha cá já”

Se um miúdo tratar o pai por “você” já é queque que chegue… tratar o cão por você só pode ser a dan cake toda!

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Vila Nova de Milfontes

10 / 9 / 2008

Ando há já um tempito para me dedicar a escrever uns roteiros de viagens de sítios do nosso “rectângulo” que visitei e dos quais gostei, por um ou outro motivo (ou por uma carrada deles). Pretendo então dar a conhecer alguns dos sítios que mais me agradaram, e que considero merecedores de uma visita, já que há bastante gente que não valoriza suficientemente o que temos de bom no país, preferindo por tudo e por nada deslocar-se para fora, desconhecendo as verdadeiras pérolas que se podem encontrar em Portugal.

Abro as hostilidades com um pequeno roteiro de viagem sobre Vila Nova de Milfontes, em pelo litoral alentejano, pertencente ao concelho de Odemira.
A sua história remonta ao tempo dos descobrimentos, quando D. João II para lá mandou alguns criminosos autores de pequenos delitos. Passados uns anos foi edificado um forte que visava proteger a foz do rio Mira dos ataques dos corsários.
Actualmente, existe alguma actividade piscatória, mas a terra está claramente virada para o turismo. É conhecida por ser a terra das três mentiras, já que não tem mil fontes, não é nova, e era conhecida por Vila, mesmo quando era apenas uma aldeia.

Vista Geral de Milfontes

Vista Geral de Milfontes

A título pessoal já visitei Milfontes cerca de uma mão cheia de vezes, tendo estabelecido por lá arraiais para passar uns dias em duas ocasiões. Passemos então ao roteiro propriamente dito.
Para lá chegar, não há muito que enganar. Vindo de Lisboa, é procurar Grândola, depois seguir em direcção a Sines, e aí é só seguir as tabuletas. Faz-se em cerca de hora e meia / duas horas, em ritmo calmo. Eu optei por acampar num dos dois parques existentes, mas a oferta de casas particulares para alugar parece ser também uma boa opção de alojamento, mas aí obviamente que tem de se preparar tudo com uma certa antecedência.

O que fazer então em Milfontes?

O facto de estar situada na foz do rio Mira, confere à vila um carácter balnear por excelência, havendo praias para todos os gostos e feitios. Pode optar-se pela praia de Milfontes, de onde se chega bem a pé a partir do centro de Milfontes. Existe ainda a praia das Furnas, na margem oposta, que se pode alcançar de barco ou fazendo uns 7km de carro. Ambas as praias têm componente de rio e de mar, e os seus areais são extensos, propícios a boas caminhadas, especialmente na praia das furnas, por não ser tão frequentada nem ser tão afectada pelos efeitos da subida da maré.
Mas Milfontes não é só praia. Recomendo um passeio na zona antiga da vila, especialmente no largo defronte do castelo, onde há sempre animação nocturna, depois de uma paragem obrigatória na gelataria Mabi. Outro sítio que experimentei na curta estadia (e recomendo) foi uma pizzaria bem perto do Campismo e do mercado, cujo nome não recordo mas que me surpreendeu pela positiva.

Se há algo de que eu gosto particularmente em Vila Nova de Milfontes é a localização, e a proximidade de outros locais bem aprazíveis. Rumando a Norte, a 20 minutos de carro está a pitoresca aldeia de Porto Côvo (ainda que já demasiado afectada pelo turismo de massas – efeitos da cantoria do Rui Veloso certamente) e a Ilha do Pessegueiro, cuja praia é óptima em dias de pouco vento dominada pelo Forte que a defendia, agora já com sinais de recuperação do abandono a que estava votado aquando da minha última visita, há uns dois anos.

Percorrendo mais ou menos a mesma distância, mas para Sul, existe um conjunto de praias, das quais destaco a do Almograve, que me faz lembrar as praias algarvias da zona de Lagos. Refiro ainda a visita obrigatória ao Cabo Sardão, cujas formações geológicas associadas à altura das falésias nos faz sentir pequeninos. Muito pequeninos.

A Vila está bem servida de infra-estruturas de apoio ao turista, existindo uma corporação de bombeiros, vários supermercados, cinema, um balcão dos correios, um posto de primeiros socorros junto à praia, dois parques de campismo, e claro, numerosos bares e alguns restaurantes.
É uma localidade que me atrai pela simplicidade e pacatez próprias do Alentejo, pela paisagem, pela praia e pela magnífica localização num ponto acessível e ao mesmo tempo central, sendo uma boa “base de operações” para conhecer toda a zona envolvente.