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Carta de um gajo-que-tem-a-mania-que-é-o-vasco-pulido-valente-mas-afinal-revela-uma-ponta-de-sensibilidade

15 / 2 / 2010

Depois de ler este artigo em forma de “ai que é tão giro dizer mal de algo tão genuíno como o Carnaval de Torres Vedras” não pude de deixar de escrever alguma coisa do que me vai no espírito.

Primeira nota: este “jovem jornalista” tem 26 anos. A minha idade, mais ou menos. Aliás, até acho que o conheço e estudámos na mesma escola. Afinal de contas somos ambos de um concelho cuja cidade sede tem 20 mil habitantes (eu atiraria mais para os 30mil, mas se é para dizer mal, há que empequenecer as coisas, como convém). O que noto é que tenta escrever um artigo como se fosse Vasco Pulido Valente, empedernido das amarguras da vida e do azedume de ser “do contra”.

A “coisa” começa bem – senão vejamos – há um elogio à cidade por não ser um típico subúrbio. E não é! Mas depois há logo a referência à burguesia decadente (da qual ele deve fazer parte, já que conhece um fenómeno que eu ignoro, porque nem se faz notar de forma evidente na vida da cidade. Se vai lá “senhor fulano e sua esposa”, as pessoas não ligam). Mais uma alfinetada na pacatez da cidade, que não é por excelência um oasis da diversão nocturna, mas que começa a ter alguns espaços bem agradáveis para passar um bom serão. E tudo isto para quê? Para a seguir começar um chorrilho de lamentações sobre o Carnaval de Torres Vedras. Claro ressabiamento, já que até vai buscar a questão católica da coisa, e continua por transmitir a ideia de que as criancinhas do concelho são arrastadas à força para um cortejo onde fazem uma triste figura. Mais uma vez, o rapaz deve estar a falar de cor, ou com bastante azedume. Se não sabe, investigue. É esse o trabalho de um jornalista. Que eu saiba, os meninos das escolas não são obrigados a ir, e pelo que tenho visto, a qualidade (e originalidade) das máscaras permite um factor de diversão bastante maior do que pegar num bloco de notas – até passava por “fiscal da câmara”, com jeito… Depois até ataca o clima. Claro que chove sempre. Tirando os 75% de ocasiões em que efectivamente até está sol…

Também fiquei para perceber o porquê das referências às escolas de Samba. O jornalista desconhece mesmo as origens do carnaval. Mesmo o da sua própria terra – que já é celebrado com grande folia por estas pessoas desde há mais de 100 anos, mais ou menos da mesma maneira. Carnaval não é Samba – e se for preciso um exemplo, arranja-se já aqui o Carnaval de Veneza…

Estranho estranho mesmo é a parte de o artigo concluir da pior forma possível para alguém que tenta dizer tanto mal de uma festa espontânea e que consegue trazer a alegria das pessoas para as ruas. Afinal de contas, até veio ao Carnaval, e gostou. Pior do que isso – arrependeu-se de não tirar férias para melhor aproveitar a festa da “parvónia”.

Recomendo que para o ano tire é umas férias um bocadinho maiores, guarde o subsídio de Natal, e vá ver o carnaval dos outros. Aquele que passa na TV… Ou então vá só aos sítios de Portugal onde se importou muito mais do que a música do outro lado do atlântico, para aí sim, poder falar do “Samba dos 5 graus” com bastante alegria e convicção de que é esse o verdadeiro carnaval.

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Noites do Parque – O’questrada

25 / 8 / 2008

Para quem não sabe, e admito que seja a generalidade da meia dúzia de leitores que aqui põe a vista em cima e se digna a ler os meus monólogos, a câmara municipal de Torres Vedras tem levado a cabo nos últimos anos uma iniciativa chamada “Noites do Parque”, e que mais não é que um conjunto de concertos no parque verde da Várzea de Torres Vedras (este ano também na foz do Alcabrichel).

No ano passado eu tive o prazer de ir a uns 2 concertos, e lembro-me que gostei. Este ano, por diversos motivos, apenas pude ir ao último dos concertos. Eram perto de 22.00h da passada sexta-feira quando cheguei com a Nessy ao anfiteatro do parque, e o público não era em número muito animador, já que a noite, apesar de ser Agosto, estava bastante fria e ventosa. Rapámos um belo de um briol, portanto, a ouvir uns faduchos euquanto o raio do concerto não começava.

Confesso que fiquei assustado quando vi um artolas de fatinho a mexer num pau e num cesto, e mais assustado fiquei quando o ouvi. O senhor vai daí, e começa a tocar o “Contrabacio”, que é como quem diz, um contrabaixo dos desenrascados, e a cantarolar qualquer coisa em francês, com alguma graça, mas que me fez pensar no amigo Daniel e a sua experiência traumática. O senhor continuava por lá a cantarolar agarrado ao pau e ao cesto, e por esta altura eu já pensava: “bem, ao menos é de borla e posso sempre ir embora assim que me apetecer”.

Vem a segunda música, e se já estava assustado, mais assustado fiquei quando ouço cantar lá ao fundo da assistência. “Bem, mas isto é assim tão interactivo?” Afinal de contas era a bela voz da vocalista, e todo o concerto se começou a compor. Vem uma música, depois outra, e depois mais outra… e não é que o raio do “conjunto” até é bom? Por esta altura já o público estava mais do que rendido, e engrossara em número, enchendo por completo o anfiteatro, apesar do vento frio.

Houve direito a malabarismos, palmas, cantorias e encores. E o nome do grupo que abrilhantou uma noite tão desagradável? O’questrada. Ao que parece são “ali” da margem sul, mas tocam e cantam que se desunham! A vocalista parece exceder-se um pouco na expressividade, mas o certo é que funcionou muito bem, e o espectáculo foi dos melhores a que já tive direito de assistir. Recomendo, no mínimo, uma visita ao site, onde se podem ouvir algumas músicas deste agrupamento já com 7 anos de estrada. Fiquei fã!